A cura do câncer e a fonte do conhecimento

Há poucos dias recebi um email com uma notícia agradável. Um médico italiano descobriu a cura do câncer e, por consequência, de várias outras doenças que atacam duramente a humanidade. Os links para o site dele estão logo abaixo. Há um vídeo com legendas em português, também.
Mas, o que mais me fez pensar foi a descoberta em si.
A ciência afirma que o câncer é uma disfunção celular, na qual as células começam a se reproduzir desordenadamente por mutação de seu DNA. Mas, os motivos desta reprodução desordenada eram, até pouco tempo, desconhecidos.
Conforme explica o Dr. Simoncini, a causa do câncer é uma infecção causada por um fungo chamado Candida albicans, ou outros da mesma família Candida. Este fungo é bem conhecido da humanidade, pois é o mesmo que produz aquelas terríveis lesões na boca chamadas aftas.
Segundo a medicina, a infestação pelo fungo se dá por causa do enfraquecimento das defesas orgânicas – a chamada infecção oportunista. O corpo enfraquecido não consegue combater o câncer (segundo a medicina) e a infestação se instala.
Na verdade, o câncer é exatemente o oposto, segundo o Dr. Simoncini. O fungo se alimenta dos tecidos celulares do nosso corpo. Por causa disso, as células começam a se reproduzir em demasia para tentar encapsular o invasor. O processo é semelhante ao das ostras. Se colocado um grão de areia dentro dela, em local sensível, ela produzirá camadas e camadas de tecido ao redor do grão de areia até que se sinta segura de não mais estar sendo atacada pelo invasor. O resultado destas camadas é a pérola, usada em jóias de valor.
Em nosso corpo ocorre o mesmo. As células começam a se reproduzir para encapsular o invasor. Porém, não obtendo sucesso com as células maduras, o corpo começa a usar as células mais jovens para o mesmo fim. Então, forma-se o câncer. Na verdade, o câncer é uma defesa do nosso corpo contra um invasor estranho que tenta destruí-lo.
Isso me fez pensar muito nos cientistas que se distanciam de Deus e de Suas palavras.
Quando Deus criou todas as coisas, disse que tudo era bom. E não há um só lugar na Bíblia que diga o contrário. Ainda hoje, tudo é bom aos olhos Dele, apesar de tudo.
A consequência dessas palavras é evidente. Nosso corpo também é bom, embora tenha se tornado corrompido e voltado para o mal depois da queda. No entanto, a criação ainda é boa para Deus. Se não fosse, Ele poderia tê-la destruído há muito tempo e feito outra, nova, sem qualquer resquício de maldade ou pecado (que significa errar o alvo). Mas não o fez por vários motivos, dentre os quais, consigo perceber rapidamente estes:

  • Não pode mentir a Si mesmo – se jogasse esta criação fora e fizesse outra, na qual não houvesse qualquer possibilidade de as criaturas errarem, seríamos fantoches sem liberdade. O que caracteriza a nossa liberdade é a possibilidade de errar.
  • Como Ele viu que tudo o que fez é bom, jogar tudo fora seria desdizer-se, mentir a Si e a todas as outras criaturas, o que é impossível.
  • Uma vez que toda a criação é boa, tem valor e não pode ser desprezada.

Assim, voltando ao que eu dizia há pouco, vejo que os cientistas estão jogando fora seu tempo e suas capacidades quando negam e desprezam a existência de Deus. Vou tentar explicar o por quê desse pensamento.
Quando o Iluminismo reforçou a idéia de uma dicotomia entre o sagrado e o secular, afirmou que a Razão (com R maiúsculo) era neutra, sem afetação de qualquer tipo de religião. Mas isso é um engano. O homem jamais fará qualquer raciocínio que não tenha uma origem primeira, uma fonte primária, aceita como suficiente em si mesma e não dependente.
Tudo veio de Deus, até este raciocínio. Todo pensamento humano tem que partir de uma origem, e essa origem jamais será neutra, jamais será isenta. Ao negar Deus, o homem assume outra origem, mas terá que assumir pelo menos uma, nem que seja falsa, senão seus pensamentos e ações deixam de ter sentido.
Com isso em mente e a descoberta do Dr. Simoncini, observei que a ciência não avança; ou os cientistas não querem admitir que há um Deus que é a origem de tudo.
Por quê? Porque até agora pensava-se que o câncer era uma disfunção desconhecida da reprodução celular. As células começam a dividir-se desordenadamente até que o organismo morre por exaustão, extremo cansaço.
Mas o temido câncer nada mais é do que uma reação do corpo contra um invasor!
O corpo continua agindo agora da mesma forma como quando foi criado por Deus – para a vida! – E viu Deus que tudo era bom!
Penso que se os cientistas entendessem que tudo foi feito desta forma e tem este sentido, sendo tudo muito bom conforme disse Deus, achariam soluções para os problemas que afetam a humanidade, pois a vida é uma dádiva de Deus para todos. Se há algo errado, então, não deve estar na criação, mas deve ser algo atacando-a de fora para dentro, da mesma forma como foi no princípio.
Por este motivo penso que a fé que promove a religião em Deus jamais será desvinculada do pensamento do homem, por mais que ele a rejeite. O homem pode ocultá-la sob outras formas, mas o sentido será sempre o mesmo – A Vida que foi resgatada por Cristo!
Ah se o homem entendesse que Deus é a fonte de todo conhecimento…

Links para o site e o vídeo do Dr. Simoncini:

www.curenaturalicancro.com
http://www.cancer-fungus.com/sub-v1pt/sub-pt.html

Apenas para complementar, o Dr. Simoncini também encontrou a cura da Psoríase, que é causada, igualmente, por um fungo!
O tratamento é simples: solução de iodine a 7%, encontrada em farmácias de manipulação.
Esta solução faz precipitar as proteínas do corpo do fungo, fazendo-o morrer em pouco tempo.
Pintar as lesões 2 vezes ao dia por 5 dias e depois uma vez ao dia por 10 dias, até que fiquem bem escuras. Quando se formar uma casca (escara) mais alta que a pele, continuar pintando acima e abaixo dela, mesmo que cause algum transtorno.

O texto acima em inglês, aqui:
http://www.curenaturalicancro.com/protocol-psoriasis.html

As galinhas e a bomba atômica

Digamos que eu deixe ao lado de uma galinha o livro que ensine em detalhes como construir uma bomba atômica. Devo preocupar-me com a possibilidade de a galinha construir o artefato e tornar-se ameaçadora? Evidente que não. Por quê?
Porque uma galinha não tem capacidade intelectual suficiente para discernir o que significa aquele objeto – o livro. Quanto mais compreender sinais de escrita, e mais ainda, conseguir interpretá-los e formar pensamentos. Essa é uma capacidade exclusiva da raça humana.
Posso descansar em paz que a galinha não destruirá o mundo dentro de alguns meses.
O que me faz pensar neste assunto é o fato de já ter sido questionado se o homem foi criado para ver somente o bem. Pelo relato bíblico, não. O homem tinha a capacidade de compreender o bem e o mal, podia discerni-los e até assimilá-los. No entanto, o conhecimento do bem e do mal estava abaixo do status do homem recém criado, e Deus os avisou para que não provassem do fruto a fim de que não caíssem do seu estado original.
Deus não escondeu a verdade dos primeiros seres humanos como a serpente quis fazer crer. Precisamos aprender a ler o que está escrito e pensar nisso.
Deus disse – Gn.2:
“16 E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, 17 Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.
E em Gn.3:
4 Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
Extrai-se que o homem podia entender o bem e o mal, mas não devia comer esse fruto de conhecimento. Uma vez ingerido, teria o desejo e seria capaz de criar o mal da mesma forma que estava apto a desejar e criar o bem.
Após ter repreendido suas criaturas e relatado a maldição que haviam contraído, disse Deus – Gn.3:
22 Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal…
Ora, o homem não fora feito conforme a imagem e semelhança de Deus? Sim. Então, por que agora diz o Senhor que o homem tornou-se como um de nós? Porque agora era capaz de criar o mal; sabia como fazer isso também. Guardadas as devidas proporções, ficou ‘como Deus’.
Em Isaías 45 está escrito:
7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

- Então a serpente não mentiu quando falou que, se comessem do fruto, ficariam iguais a Deus!
Evidente que mentiu. O homem não é igual a Deus e jamais será! Continua semelhante, mas com a capacidade e o desejo de fazer o mal também. E pior: ficou servo da serpente, pois todo vencido é escravo do vencedor – 2Pe.2:19.
Foi exatamente isso que Jesus destruiu na cruz: o poder do pecado e de satanás sobre o homem! Quem Nele crê e aceita Sua obra de salvação, está salvo e livre das amarras!

Vamos um pouco mais fundo: uma árvore dá frutos bons ou maus, nunca ambos no mesmo tronco e ao mesmo tempo. Assim, essa árvore paradisíaca tem a característica de ser uma árvore de confusão, pois o bem e o mal coexistem no mesmo tronco.
E o que isso significa para o homem? Significa que o homem, agora, contém os dois impulsos dentro de si. É capaz de fazer o bem e também de criar o mal. Por isso, constantemente, o Senhor diz que julgará os homens segundo suas obras.
Ouso dizer que este é o verdadeiro ‘pecado original’. A desobediência fez parte do ato de rebeldia, mas muitos homens de Deus foram desobedientes como Adão e Eva e Deus não os exterminou. Jacó lutou com Deus e prevaleceu, não foi? Oséias.12:

3 No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, e na sua força lutou com Deus.
4 Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco
,
Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Salomão, e tantos outros homens de fé também foram desobedientes em algum ponto de suas vidas. No entanto, foram considerados homens de valor por Deus, porque em seus corações queriam dar continuidade ao bem que Deus tinha criado. Entendiam isso, o que lhes mantinha a fé viva em Deus e em Sua palavra.
Abraão levou o filho ao sacrifício porque sabia que Deus tinha feito uma promessa de bem ao seu povo. Ainda que oferecesse Isaque em holocausto, Deus tinha todo o poder para ressuscitá-lo e cumprir a promessa feita.
No entanto, quando o homem cria o mal ou o pratica deliberadamente, Deus age com severidade e intenso juízo. Eis o motivo do dilúvio, da destruição de Sodoma e Gomorra, da destruição de Babilônia e da futura destruição do mundo como o conhecemos hoje no tempo devido.
Mas, o que mais se sobressai é que o homem tinha capacidade para compreender tanto o bem quanto o mal mesmo antes da queda. Contudo, não tinha prazer em criar e praticar deliberadamente o mal.
Agora, na condição de caído, sujeito aos caprichos da serpente, estava apto a obedecê-la e pronto a agir para o mal. Afinal, era o que ela queria.
E há também a questão da dualidade: o bem e o mal coexistindo na mesma árvore. Coexistir tem o significado de existir ao mesmo tempo em conjunto.
A coexistência do bem e do mal passou para o homem como uma doença transmissível.
Essa dualidade existe no homem até hoje. Por isso Paulo fala em Rm.12:2 – “Não se amoldem – não tomem a forma – deste mundo, mas transformem-se pela renovação do próprio entendimento para que possam compreender qual a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Fomos criados para darmos continuidade à criação do bem, e não do mal. O mal pode até passar pelos pensamentos; materializá-lo, porém, é pecado. Daí a recomendação bíblica para mudarmos o nosso modo de pensar também. O espírito pode nascer de novo, mas a mente do homem continua dúbia, trazendo em si o germe do mal que veio daquela contaminação.
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filipenses 4 : 8).
Mas o bem não o contaminou da mesma forma? Sim, e é adversário do mal que também habita no homem ao mesmo tempo. O homem não foi criado para criar o mal. Essa é a diferença essencial.
Por causa da dualidade que habita o homem, muitos colocaram Deus e o diabo no mesmo patamar de poder – o bem lutando contra o mal. Isso é falso. O diabo é uma criatura e não é Deus. Bastou um anjo para prendê-lo em correntes.
Assim, o homem não foi criado cego. Ele apenas não tinha o desejo de criar o mal embora pudesse entendê-lo perfeitamente.
Se o homem não fosse capaz de entender o bem e o mal, seria necessário Deus avisá-lo da árvore?
Se a resposta é ‘sim’, então, melhor ficar atento e não deixar qualquer livro perigoso perto de uma galinha. Ela pode construir uma bomba atômica.

Homeschooling x sociabilização das crianças na escola

Quero refletir sobre alguns pontos sobre os quais já deveríamos estar trabalhando há algum tempo. As definições podem não estar completas, tampouco perfeitas, mas mostram o que penso a respeito.

Educação - é o que qualquer pessoa aprende desde criança, na convivência doméstica, geralmente através dos pais.

Instrução formal – é o estudo específico que cada pessoa recebe sobre o conhecimento humano desenvolvido ao longo dos tempos, como filosofia, matemática, biologia, etc.

Nenhuma pessoa deve ser obrigada a ser educada ou instruída pelo Estado ou por qualquer instituição autorizada apenas por ele. Essa decisão pertence aos responsáveis pela criança. Vou ainda mais longe: o Estado não pode impor que qualquer criança seja formalmente instruída. O Estado deve ser obrigado a informar aos indivíduos sobre as dificuldades que sofrerão os que não forem formalmente instruídos, e com muita clareza, sem ideologias ocultas. A decisão cabe sempre aos pais ou responsáveis. Cabe ao Estado não interferir nos direitos individuais para que os responsáveis pelas crianças possam decidir livremente qual o tipo de instrução formal desejam para seus menores. Então, teremos crianças alfabetizadas de fato, preparadas para buscar sua felicidade com seu próprio trabalho honesto.

No Brasil, a intenção dos governantes é fazer números elevados em estatísticas, por isso a obrigação de matricular crianças em escolas. Esse um dos motivos pelos quais a maioria do nosso povo é analfabeta funcional. A ênfase da lei está na matrícula, não na qualidade da instrução fornecida. Aliás, a qualidade já está definida como marxista. Se é que podemos identificar o marxismo com alguma qualidade.

Instrução doméstica x sociabilização – Criança sociabilizada, no Brasil, é instruída para ser criminosa, viciada, rebelde e sempre revolucionária marxista sob o lema: abaixo os imperialistas e a propriedade privada. Usa o resumo do dicionário comunista, o qual contém apenas cinco palavras: homofóbico, imperialista, fascista, nazista e retrógrado, e sem qualquer explicação maior sobre seu significado. Criança ‘sociabilizada’ geralmente cresce marginal, gradua-se em bandidagem e faz doutorado na penitenciária ou pós no cemitério. Algumas crescem e conseguem chegar à presidência ou ao congresso, mas não negam sua instrução de base.

Toda criança tem tempo livre após o horário de estudos. Pode brincar com os amigos depois de estudar. Ou será que todos os vizinhos do mundo foram abduzidos e não fomos informados? Instrução doméstica é um direito individual que não pode ser extinto pelo Estado.

Cidadania – significa que todo indivíduo é livre para buscar sua felicidade dentro de seu país mas respeitará a mesma liberdade para com seu vizinho e participará do esforço coletivo para a grandeza de todos com parte do que lhe restar depois de ter satisfeito todas suas necessidades e as de sua família. Quando precisamos cobrar do Estado que tire a mão da nossa liberdade, é porque já não somos cidadãos. O Estado existe para os cidadãos, não o contrário. Atualmente, o Brasil é feito por brasileiros, e não para brasileiros.  Cobrar qualquer coisa dos governantes hoje é o mesmo que discutir sobre a quadratura do círculo com uma anta de boné. E a anta sempre vence.

Posso dar instrução formal aos meus filhos em casa, ou em qualquer lugar, e cobrar melhor atuação do Estado para que mantenha livre de empecilhos o caminho dos que não têm condições para fazer o mesmo que eu. Sou livre, exerço minha liberdade de forma responsável e colaboro para que os que ainda não conseguem exercê-la completamente tenham total amparo de todos para tanto. Inclusive do Estado. Por isso contribuo com parte do que recebo do meu trabalho honesto para esse fim. Isto é uma pequena parte do que significa cidadania.

Precisamos nos lembrar que a liberdade individual foi conquistada; veio de lutas ao longo dos séculos. A liberdade não nos foi entregue de mão-beijada. A vitória da liberdade só se perpetua pela firme decisão de seus conquistadores em manterem-se livres. Os países comunistas exterminaram quem pensasse em liberdade, e agora, estão implantando o mesmo regime assassino aqui de forma lenta e sutil, invertendo valores e destruindo os pilares da sociedade cristã ocidental como se esta bagunça cultural fosse a única e verdadeira liberdade possível no mundo.

Não, não é! Precisamos mostrar imediatamente aos que querem um Estado-deus-sobre-todos que não vamos aceitar tais imposições. E precisamos fazer isso com urgência, antes que sejamos a menor das minorias. Nossas crianças já estão sendo doutrinadas para o marxismo. Mais tarde não haverá mais tarde.

As palavras têm poder? São sementes sempre?

            Estes dias entrei no site de uma igreja e apanhei alguns estudos.  Gostaria de comentar um pouco porque gostei de algumas coisas e não gostei de outras. Antes, porém, de qualquer comentário, esclareço que não sou doutor em nada, apenas presto atenção ao que é ensinado e comparo com o que está na Bíblia. Dentre os estudos que apanhei, um está relacionado ao uso das palavras como forma de benção e maldição.

            Muitos têm apregoado que nossas palavras são sementes e concordo em parte. Concordo em parte porque, de fato, as palavras são a ferramenta usada para expressar nossos sentimentos, desejos e tudo o que se passa em nosso pensamento. E vão mais além: expressam o que está em nosso coração, ou seja, em nosso interior que não é visto por homem algum, e podem influenciar pessoas.

            Nesse sentido as palavras têm um poder magnífico pois, através delas conseguimos transmitir o invisível. Contudo, nas palavras não há poder suficiente para serem auto-realizáveis.

            Com razoável entendimento bíblico, penso que não podemos atribuir uma maldição apenas porque alguém disse algo ruim. Tal entendimento errôneo é um perigo maior do que a possível maldição em si.

            Na Bíblia vemos pessoas abençoando e amaldiçoando. Deus mesmo amaldiçoou nações, pessoas e até atitudes. Em outras situações, Ele abençoou, e o fez mais vezes do que proferiu maldição. Porém, Ele tem autoridade para tanto.

            É algo semelhante à sentença de um Juiz investido de seu ofício. Ele tem a lei do país garantindo que sua decisão será cumprida mesmo que seja com o uso da força. Deus não precisa que ninguém garanta suas decisões, pois Ele é o autor das leis que regem todas as coisas. Quando Ele diz, está dito e feito.

            Se pensamos que palavras podem amaldiçoar ou abençoar porque as dizemos, estamos nos enganando a nós mesmos. Isso não é verdadeiro.

            Imagine que alguém passa por uma situação de humilhação e, de repente, explode de raiva e profere palavras carregadas de ódio. Se só isso fosse capaz de materializar a maldição, estaríamos perdidos. Graças a Deus, não é. Para que qualquer coisa aconteça após as palavras terem sido verbalizadas é necessário ter autoridade para fazer acontecer o que foi dito.

            Alguns pregadores apregoam também que os cristãos têm autoridade para que suas palavras aconteçam. Sim, de fato o cristão tem uma autoridade dada por Cristo, mas está limitada a Ele. Pode usar Seu nome em muitas situações porque é parte da Igreja que Ele mesmo construiu. Mas, nossas palavras somente não têm autoridade alguma além daquela que Cristo entregou a elas. Assim, se um cristão abençoa alguém, suas palavras, por si mesmas, não farão bem nem mal a quem quer que seja ao longo do tempo, mesmo que sejam ditas com a intenção de.  Se não tiverem sido proferidas antes pelo Senhor de todas as coisas, inclusive das palavras, nada acontecerá.

            Por outro lado, as palavras podem afetar outras pessoas.  Quem as ouvir e as aceitar como suas, e convencer-se disso, sofrerá a influência do que foi dito. Porém, tal situação ocorre por influência pessoal, direta. A pessoa precisa ouvir para reagir ou aceitar. Se dizemos algo sobre uma situação, como p.ex. uma palavra que gostaríamos de ver cumprida em nosso país, nada acontecerá se o Senhor não a tiver dito antes. As palavras proferidas não têm poder algum para fazer qualquer coisa pois não têm autoridade em si mesmas para tanto. Deus mesmo diz: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is.55:11). Deus diz assim porque Ele é Deus; nós, não.

            É só assim que as coisas acontecem por palavras: o Senhor fala primeiro. Deus deu ao homem o privilégio de dar nome às coisas criadas e mais nada além disso usando palavras.

            Muitos versículos bíblicos são usados para embasar que as palavras têm poder. É preciso observar, porém, em qual contexto foram ditas para não inventarmos novas doutrinas que não estão escritas na Bíblia. Um texto tirado do seu contexto pode servir de base para qualquer tipo de doutrina.

            Conforme tenho observado em algumas pregações desse assunto, precisamos estar muito atentos ao que dizemos, pois, se dissermos algo ruim, irá acontecer. Não é assim, graças a Deus. O mesmo se dá quando dizemos algo bom. Por quê?

            Por uma razão muito simples: não somos nós os donos de coisa alguma aqui. Não mandamos nos fatos, nas pessoas, nos acontecimentos, nem no presente, tampouco no futuro. Algo só acontece quando Deus fala primeiro. Faço, contudo, uma observação quanto ao fato de podermos alterar certos fatos futuros com nossas ações presentes, mas isso é assunto para outro post.

            Há um texto bíblico usado para afirmar que temos um poder enorme quando proferimos algo. Está em Mt:18:18 – “Em verdade vos digo que tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu”.

            Porém, essa não é a tradução exata para os tempos verbais usados nos textos originais. A tradução correta é: “Tudo quanto ligardes na terra TERÁ SIDO LIGADO no céu e tudo quanto desligardes na terra TERÁ SIDO DESLIGADO no céu”.

            Falando de uma maneira simples, essa conjunção verbal significa um tempo passado, embora pareça estar no futuro pelo uso do verbo ‘ter’ nesse tempo futuro – terá. O sentido todo está no passado e significa: o que ligarem na terra já foi ligado no céu e o que desligarem na terra já foi desligado no céu. Assim, se ligamos ou desligamos qualquer coisa aqui é porque a ordem já foi dada primeiro pelo Senhor. Afinal, quem é Senhor? Jesus ou a Igreja? Jesus, claro. O corpo faz o que manda a cabeça, não o contrário.

            Assim, se dissermos algo conforme o Senhor nos inspirar a dizer, então aquilo é, de fato, real e vai acontecer. No entanto, muitos erram aqui também, porque afirmam que “Deus os mandou dizer isso e aquilo” quando, na verdade, Deus não disse coisa alguma. Creio que Ele fala conosco, mas pelos relatos bíblicos e por experiência própria, sei que isso não ocorre de qualquer maneira, muito menos quando queremos. De uma forma bem genérica e simples digo que quando deixamos nosso querer de lado, o Senhor nos mostra o que Ele quer. Pode ser que seja até o que queremos, mas pode não ser também. As chamadas ‘profetadas’ são muito perigosas, pois quem as ouve pode achar que são reais, vindas de Deus, e sofrer sem motivo. E, se vêm de Deus, quem poderia contestá-las? Por isso, todo cuidado é pouco nessa questão. Trato disso noutro post.

            O texto que mencionei acima nos informa que se ligarmos algo aqui é porque já está determinado no céu, e não que será determinado pelo Senhor porque determinamos aqui. Observe que isso tira de Jesus a autoridade que só Ele tem e ninguém mais. Nem a Igreja. A Igreja, como corpo, só faz o que a Cabeça determina. Assumimos esse compromisso quando aceitamos a salvação e nos entregamos a Deus para cumprirmos a Sua vontade aqui. Esse foi o trato que Deus fez conosco. Se o aceitamos desta forma, por que pretendemos alterá-lo? Não fomos nós quem escolhemos a Deus, mas Ele que nos escolheu a nós. Não podemos mudar nada nessa questão.

            Essa doutrina faz parte de um conjunto de doutrinas que dão à igreja um poder que ela não tem. Igreja é corpo, e corpo não manda. Corpo obedece à Cabeça. As doutrinas a que me refiro dizem respeito à doutrina da determinação. Elas afirmam que se eu determinar algo, aquilo acontecerá. Não é assim também, graças a Deus. Mesmo não tendo esse poder, já fazemos bobagens demais. Quantas e terríveis coisas aconteceriam se tivéssemos esse poder!

            Por outro lado, penso também que podemos transtornar a vida de alguém usando apenas palavras. Isso é inegável. Mas, para que isso ocorra, precisamos como que martelar o pensamento de alguém até que se amolde ao que estamos querendo.

            E não são necessárias apenas palavras também. Com gestos e atitudes também podemos ir além de uma simples comunicação. Estragamos o dia de alguém com um simples olhar de reprovação sem dizermos uma só palavra.

            O que todos os textos bíblicos nos informam a respeito do falar é que precisamos usar a língua com sabedoria, pois podemos até nos condenarmos por causa dela (Davi se condenou a si mesmo na sentença que proferiu quando o profeta Natã contou sobre o homem que tinha muitas ovelhas e, ao receber uma visita, sacrificou a única ovelha do seu vizinho, referindo-se ao adultério e assassinato cometidos pelo rei contra seu soldado Urias – IISm.12). No entanto, a língua não se move sozinha, como que por conta própria. A língua não tem vida independente do corpo. Jesus disse que o homem se contamina pelo que sai da sua boca, não pelo que entra por ela, porque o que sai da boca vem direto do coração.

            Influenciamos pessoas com nossos pensamentos, ainda que apenas escritos. Você está pensando no que eu escrevi aqui sem ouvir uma só palavra da minha boca. Se isso fizer você pensar mais e ir além, buscando a compreensão do que pregam em comparação com o que está lendo agora, então, o que pregaram e minhas palavras atingiram você, e agora você quer uma compreensão correta do que está em seu pensamento. Há uma dúvida e você quer esclarecimento, quer saber onde está a verdade. Isso é ótimo!

            Então, caso você siga adiante em sua busca da verdade – o que penso ser excelente – lembre-se de que tudo o que nega qualquer parte da obra de Cristo não vem de Deus.

            Jesus é Deus que veio em carne. Jesus andou como homem entre nós e levou sobre si as nossas dores. Ele se entregou em nosso lugar morrendo numa cruz sem ter cometido qualquer pecado, e nasceu sem ele também. Depois de três dias foi ressuscitado pelo poder de Deus e hoje está à direita do Pai atuando como nosso Advogado. É o primeiro homem ressurreto, as primícias. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Sua obra foi completa, suficiente e eterna para realizar a salvação da humanidade. Ele é Senhor de todas as coisas. Portanto, qualquer doutrina que altere o menor ponto desta porção da doutrina bíblica a respeito de Cristo está errada e deve ser descartada.

            A doutrina da determinação também tira de Cristo a autoridade que só Ele tem, da mesma forma que a doutrina das ‘palavras poderosas’ também o faz. Nada acontece aqui sem que venha primeiro do Senhor. Ele tanto pode permitir quanto ordenar que algo aconteça, mas em todos os casos, Ele é o único que tem autoridade para isso.

            Fiz esse breve comentário porque tenho visto muita gente temendo a própria realidade. Pessoas sinceras em sua fé chegam a não relatar um problema sério por puro medo de estarem dando autorização ao diabo para agir em suas vidas. Isso não existe na Bíblia. Os problemas, para serem resolvidos, precisam ser detalhados, esmiuçados, compreendidos e, muitas vezes, relatados a outros com mais entendimento que nós. Se nos recusamos a falar um problema por medo de estarmos dando ao diabo a chance de nos derrotar, novamente estamos tirando a autoridade de Cristo e afirmando que Ele é mentiroso. Não é. Ele mesmo disse que as portas do inferno não prevalecerão contra a Sua Igreja. Então, por que temer?

            Se você tem um filho problemático, não tenha medo de contar o problema a alguém e pedir oração. Nem sempre conseguimos fazer tudo sozinhos. O diabo não irá fazer nada além do que já está fazendo por causa disso, e irá só até onde o Senhor permitir que vá. Não será por que você contou ou falou com palavras o que ele faz que o diabo irá agir mais do que já está agindo. Não vai. Se isso acontecesse de verdade, Deus seria mentiroso, e isso Ele não é.

            O diabo só faz o que lhe é permitido. Quando o homem caiu da presença de Deus já fez tudo de ruim que podia fazer e, a partir daí, o diabo passou a estragar muita coisa por aqui. Por isso Jesus veio. Se você está em Cristo não há o que temer. Se alguém em sua família está com problemas, ore e esteja ciente de que Deus pode tudo e fará o que prometeu fazer se nós O buscarmos com humildade e fé. Se você tem mais medo do que confiança, então, algo está errado. O amor joga o medo fora.

            Ainda, quero dizer que você não precisa viver uma vida de temores infundados. Tema somente a Deus e ame-O de todo o seu ser. Qualquer outra doutrina que lhe ponha medo e temores disso e daquilo não deve ser seguida. Cristo veio para nos libertar, não para nos tornar fantoches, mamulengos guiados pela vontade de homens. Se Cristo nos libertou, então somos verdadeiramente livres. Que nossas palavras sejam sempre bem temperadas para não machucar quem as ouvir é uma recomendação bíblica. Isso é bom e agradável a Deus e aos homens.

            Lembre-se mais ainda que ninguém pode lhe colocar um cabresto e mandar em sua vida, inclusive através de palavras. Só Jesus é Senhor. Esteja atento ao que está escrito: no final dos tempos os homens irão atrás de fábulas e estórias inventadas, mas não aceitarão a sã doutrina bíblica (2Tm.4:3,4). Portanto, procure saber profundamente o que lhe é ensinado, inclusive pelos pregadores mais renomados. São homens sujeitos a erros e vaidades. O que escrevo aqui, também deve ser levado em oração e estudado com muita atenção porque não sou Deus. Está escrito: Se houverem profetas, que falem dois ou três, e os outros julguem (1Co.14). Se a palavra dos profetas fosse perfeita, não seria necessário julgamento. Então, siga essa recomendação da própria Bíblia: “Meu povo sofre porque lhe falta o conhecimento…” – Os.4:6. Lembrando ainda do que disse Jesus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Ele é a Verdade, conheça-O e aprenda Dele.

           

            

A distância até o alvo diminui se dermos o primeiro passo

            O Globo de hoje (26/09) publicou a opinião do leitor Rodrigo Roratto tratando do Profissionalismo para a administração pública. Nos comentários, o leitor Marco Aurélio da Silva Barcelos discordou dizendo que ‘seríamos injustos com aqueles cidadãos que, por falta de um investimento pesado do governo na educação dos mais carentes, deixam de receber a instrução necessária’. Com o devido respeito, discordo de ambos parcialmente.

            À primeira vista, a injustiça mencionada pelo comentarista parece correta, mas discordo pelo seguinte motivo: permitimos que indivíduos sem qualquer noção de direito e dever se instalem em cargos de autoridade e determinem, novamente sem qualquer noção, o que será da vida de milhares de pessoas, quando não de milhões.

            Argumenta-se sobre a diferença entre instrução e educação, sendo a primeira o que se aprende na escola e a segunda o que se aprende em casa. Sem dúvida alguma, pesa mais a segunda pois, se alguém não tem noção do que significa respeito aos seus, como poderá respeitar os demais que nem conhece? Contudo, a instrução se faz necessária pois, como dizia Rui Barbosa: “As palavras são idéias. Um homem sem palavras é um homem sem idéias”. A instrução formal abre caminhos para novas e, quase sempre, boas idéias; mas pode ampliar, também, o caminho da maldade. Todas as moedas têm duas faces.

            Continuando, e aqui discordo em parte da opinião do autor, só o profissionalismo não atesta idoneidade daquele que assume cargo público, assim como instrução não atesta honra. Haja vista que homens muito instruídos, como alguns dos nossos ministros do judiciário, praticam atos da maior gravidade e merecem punição semelhante à do marginal que só assina o nome com o polegar. O problema real não está nas leis nem nos diplomas, mas na aplicação da Justiça pelos que detém o poder de fazê-lo. É com Justiça séria que se enfrenta a criminalidade que hoje grassa no país.

           A corrupção chega a níveis assustadores e desconfiamos até dos que deveriam ser os baluartes da honra e da moral. Eles nos dão todas as razões para tanto. Leis só funcionam para o bem da sociedade através das mãos de pessoas honradas. O contrário também é verdadeiro e muito mais penoso.

            O problema está no homo brasiliensis, que aceita o errado como lucro e o certo como prejuízo. Corrupção é uma via de duas mãos que a instrução formal não corrige. Por vezes, até a aumenta. Para mudar, só a educação que vem do berço. Se continuarmos permitindo que a corrupção se sedimente na mente dos nossos jovens com os exemplos que vemos diariamente, quem conseguirá educá-los para a justiça?

            Nós, como detentores do poder, devido ao pacto social que corroboramos, podemos dar um basta a isso com vontade e determinação. Quem aceita um favor ilegal hoje, semeia um ato corrupto maior amanhã. O problema é que muitos inocentes colherão frutos amargos num futuro bem próximo. Alguns dentre esses muitos inocentes serão os detentores do poder, os quais perpetuarão a mentira depois de amanhã.

            Mentimos para nós mesmos quando aceitamos um favor ilegal, mas ficamos enraivecidos quando algum político corrupto beneficia um amigo da mesma forma. Estamos dizendo com isso (bem baixinho para nós mesmos) que aceitamos a corrupção só quando ela nos beneficia. Infelizmente, governos e governantes têm nos enfiado goela abaixo esse princípio egoísta, ainda recheado com pitadas de inveja quando corrompem e afirmam que tirar dos ricos para dar aos pobres é algo justo. Somos enganados duas vezes.

            Disse Jesus: “Tira primeiro a trave que está no seu olho, depois vai e tira o cisco que está no olho do seu irmão”. A retidão de caráter começa conosco em primeiro lugar.

            Manter uma vida reta significa poder enfiar o dedo indicador no nariz do corrupto e dizer em alto e bom som: – Eu não faço isso e não admito que você faça! – podendo dormir em paz, sabendo que a maioria faz o mesmo.

            Mas, como manter uma vida de retidão quando as leis, as autoridades, os políticos, a justiça, enfim, tudo conspira contra nós? A distância até o alvo diminui se dermos o primeiro passo. Temos um pacto social que poucos honram. Contudo, se formos unidos nesta empreitada, um só pensamento, uma só alma, uma só nação,  teremos um novo pacto, mais amplo, mais legítimo, mais capaz e ausente de vícios. Precisamos viver certos de que cada corrupto tem a cela que merece. Para isso ocorrer, é necessário termos júri popular para crimes contra a vida, contra o consumidor, crimes hediondos, de colarinho branco e para os atos ilegais praticados por políticos. Somos os que os elegem, nada mais lógico e justo sermos nós a julga-los também. As urnas não são o melhor lugar para isso. Urna é lugar de transformação, não de sentença. O corrupto pode não ser eleito, mas isso não significa que deixará de ser corrupto, pois ainda terá influência política. Os poderosos que abominam o júri popular são os que temem perder as regalias, pelo orgulho de serem mais iguais que os outros.

            Temos a obrigação de fazer isso o quanto antes. Não temos tanta vida pela frente ao ponto de podermos deixar para a próxima geração o que queremos ver realizado hoje. Isso não é pessimismo; é a simples constatação de que ninguém vive duzentos anos. Ainda quero ver aqui um brasileiro comprando jornal naquelas bancas sem jornaleiro. Se o vir fazendo o troco, meu trabalho não foi em vão. Só a nossa honra pode anular a última eleição desastrosa.

Onde andará a Justiça?

            Diariamente a população percebe que alguma coisa está errada em algum lugar da vida. Esse sentimento de angústia que permeia o mês e o bolso, o frio na espinha quando percebe algo errado, faz desanimar o otimista ao ponto de ser perdida parte do tempo útil na busca de soluções. A troca do aparelho que veio com defeito, o acerto da conta de água que cobra muito mais que o realmente usado e tantas outras pequenas coisas, todas tomam tempo produtivo. Não deveriam existir, mas o brasileiro resigna-se e segue em frente, aguardando um novo dia para viver as mesmas tristezas, pagar os mesmos e caros impostos e rir da própria desgraça. Possível deixar esses pequenos problemas para depois? Não. São como moscas em cima do bolo: tocamos, abanamos, expulsamos aos gritos e elas estão ali o tempo todo, até que uma ou outra consegue sentar e lamber o glacê. Deixa alguma sujeira por lá, também. Pouco ligamos para a sujeira e, com o tempo, não ligamos também para as moscas.

            Essa sujeirinha que aparece na vida dos brasileiros muda a vida de muitos. E não há distinção: classes média e baixa são sempre as maiores perdedoras. E ainda perguntamos:

- É a burocracia? É o governo? É a falta de organização das pessoas? É a corrupção? É o salário pequeno? É o brasileiro que não tem respeito?

            Sim, talvez um pouco de cada. Porém, há outra, fundamental, que de tão desleixada, de tão usurpada, de tão corrompida, deixa a sociedade de joelhos sobre a sujeira e diante das moscas: a Justiça.

            Temos leis que, se aplicadas com rigor, tornariam a vida da população muito mais simples e produtiva. Temos o grande reparador de empresas e pessoas sem responsabilidade: o direito à indenização por danos morais. Todavia, tudo isso parece inútil, não funciona, não tem quem faça funcionar. O responsável não é o político, não é o padre ou o pastor, não é a fé, não é o vizinho nem a empregada, é o próprio brasileiro que começa a deixar correr o rio, mesmo que seja torto. Às vezes, seco.

            O tempo de duração de uma ação judicial chega às raias do absurdo. As decisões passam longe do que entendemos por justiça séria. Os juizes contemplam a condição social do ofendido na hora de estabelecer indenização, contrariamente à norma constitucional, e a empresa irresponsável fecha o caixa com grande lucro no final do ano lesando mais e mais pessoas. A lei diz que o valor da indenização deve servir para minorar a dor do ofendido e servir de freio para os irresponsáveis. É o que está escrito mas, qual juiz obedece? As leis são escritas de forma complicada para que o indivíduo médio não as entenda e, mesmo que tente cumpri-las compreendendo mal o que consegue ler, ficará com o receio de que fez algo errado,  tendo dívida eterna para com o Estado. Sua orelha está sempre na frente da pulga.

            Se vai a um órgão público é mal atendido, sua justa reivindicação é recebida como se fosse um favor prestado por quem deveria receber o contribuinte com tapete vermelho. E, para piorar, ao final do dia, volta para casa com a sensação de que nada vai mudar. Alguns dizem que retornam com a sensação de dever cumprido. Vassalos. Então pergunto: que dever, cara pálida? O dever de ser um completo idiota perante os que zombam de tudo e todos com o beneplácito das autoridades? Pergunto novamente: Que autoridades, cara pálida? Aquelas que são punidas quando cumprem a lei? Estamos protogeneizando demais?

            Mas um dia, alguém toma uma decisão e resolve mudar de vida. Decide que transgredir é a norma que tem sentido e respeito. Entende que valores como honestidade, honra, moral e fidelidade são coisas sem qualquer sentido real. Qualquer coisa vale para se livrar de um problema menor, para enriquecer às custas do sofrimento alheio. O sofredor que se dane! E qualquer coisa é possível quando não há punição. É o garoto que pode andar com uma automática e matar um chefe de família, enquanto aquele que mora em lugar ermo não pode ter uma arma para sua defesa. O crime é poder se defender à altura. É o ‘dotô’ de colarinho branco que pode corromper qualquer um e passar as férias numa ilha grega qualquer, mas o crime é furtar um pote de margarina. Tudo vale, tudo pode, tudo está certo porque, no final das contas, ninguém vai preso, ninguém tem medo do lobo mau. É melhor um garoto na rua do que ‘forçado a trabalhar’ e aprender um ofício; é melhor uma menina se prostituir do que trabalhar de doméstica; é melhor um jovem espancar um professor do que ser disciplinado. É melhor prender quem reclama com razão, senão, qualquer dia desses alguém pode ouvi-lo. Esse é o país que temos. Este é o país que estamos destruindo para os nossos descendentes.

            E é exatamente neste ponto, no momento quando o mal é bem e o bom é mau que aparece o ‘jeitinho brasileiro’, a lei de Gerson, o favor impagável, a corrupção. Esta sim, a dificuldade imoral que faz vender a facilidade de algo gratuito. É esta que já destruiu reinos e impérios e, aos poucos, segue destruindo nossas famílias, nossos amigos, nossos governantes, nosso país, nosso futuro.

            Sem respaldo no que lhe é de direito, o direito que está escrito na lei do seu país, o brasileiro desiste do que é reto, abandona o que é honesto e sente vergonha de ser honrado. Para que estudar se não é preciso nem diploma para ser Presidente da República? Tal atitude tem reflexos em toda a sociedade, cada um sente um pouco do erro de cada outro e, por conseqüência; multiplica-o por não haver Justiça. Notaram que até agora não usei a palavra cidadão? Não usei porque não existe. Por todos os empecilhos que o Estado gera para atrapalhar as liberdades civis enquanto alguns, mais iguais que todos os outros, continuam a nadar no resultado do suor de cada ser menos igual, o brasileiro só se sente cidadão quando transgride. Mas tem o lado ruim: é uma constatação que pode ser alterada somente através das nossas atitudes.

            Não são os valores que estão em falta, são as pessoas de valor que estão caladas. E você?

 

Madeira de Acácia

Certa vez, conversando com um pastor evangélico, comentei que a Arca da Aliança foi construída com madeira de acácia, a qual, dizem, é muito bonita. Esse pastor contou-me que Deus havia ordenado a construção da arca em madeira de acácia porque essa é uma madeira ruim, fraca e que isso tinha um significado espiritual.

Fiquei um tanto preocupado com essa explicação, pois sempre que se quer espiritualizar algo na Bíblia corre-se o risco de se falar uma bobagem. Mas, ainda assim, esbocei uma dúvida e ele continuou.

- Sim, a madeira de acácia tem um significado espiritual importante. Dentro da Arca da Aliança estavam as pedras com os Dez Mandamentos,  e isso era o símbolo da aliança, algo superior, nobre. No entanto, estavam guardados numa arca de madeira ruim. Esse era um tipo do cristão, que guarda algo nobre – o Espírito Santo – em um vaso de barro.

Bem, de certa forma há uma semelhança, uma analogia que parece boa. No entanto, a madeira da acácia não é ruim. Conforme o Dicionário da Bíblia de John D. Davis, essa madeira é muito forte e tem longa duração. Josefo, antigo historiador, diz que essa madeira é muito resistente.

Eu ainda não tive a oportunidade de manusear esta madeira e não sei exatamente como ela é, no entanto, fica uma lição importante deste episódio: Não devemos falar o que não está escrito na Bíblia como se Deus nos autorizasse a dizê-lo, o que está muito em moda ultimamente. Encontram ‘tipos’ bíblicos a todo instante, os quais nem sempre são mesmo figuras do que viria a ser. Neste caso em particular, não haveria dano algum se alguém de pouco conhecimento ouvisse esse comentário do pastor. Afinal, a idéia de sermos vasos de barro guardando pedras preciosas está na Bíblia. No entanto, muitos pregadores sem um mínimo bom senso, ou até mesmo plenos de um senso de esperteza ímpar, ensinam doutrinas que não estão presentes na Bíblia e, com isso, têm causado imensos problemas para quem os ouve e segue seus ensinos.

Logo mais irei comentar algo que, certamente, vai escandalizar muitas pessoas, mas é algo que está na Bíblia e só não vê quem não lê.

Começando

Cabeça de Guerreiro – Leonardo Da Vinci