O aborto na adolescência

1. A situação-problema – Um dos grandes problemas humano-sociais, que tem preocupado educadores, médicos, psicólogos e pais de família, é o crescente número de jovens, freqüentemente ainda no início da adolescência, que inesperadamente engravidam e que, não tendo condições ou não estando dispostas a enfrentar a responsabilidade da criação de um filho, buscam a solução mais imediata, a da eliminação dessa criança pela prática do aborto. Entretanto, como sabemos, o aborto é proibido por nossas leis. Assim, a adolescente recorre à clandestinidade para conseguir seu objetivo, o que a expõe a grandes riscos de saúde e até de vida. Essa é a situação de fato que tem preocupado profissionais de alguma forma ligados à área. E a proposta de solução tem sido freqüentemente muito simplista e imediatista, baseada apenas na defesa da idéia de que é preciso legalizar o aborto para que a adolescente possa realizar essa intervenção sem correr riscos de saúde. Ora, essa pretensa solução orienta-se apenas para os últimos “efeitos” de uma seqüência de problemas sérios e, ainda de tal forma, que proporciona o aumento da “situação-problema” em si. Pois, é evidente que, se facilitarmos as condições do aborto, estaremos diminuindo as restrições às gravidezes irresponsáveis e, mesmo aprovando-as, tacitamente, da mesma forma como expressamos assim a concordância com a libertinagem e a devassidão sexual entre adolescentes. Finalmente, estaríamos ampliando o número de jovens que viriam a necessitar da intervenção do aborto. É impressionante como somos, com tanta freqüência, envolvidos sutilmente por sofismas, a ponto de não nos darmos conta de nossos contra-sensos, distorções de raciocínio e inversão de valores. Essa distorção se expressa, por exemplo, num dos chavões muito repetidos em defesa do aborto, que diz ter a mulher “direito sobre o seu corpo”. Realmente o tem, mas é na hora em que decide se vai ou não realizar o ato sexual. De momento que ela esteja grávida, a criança já não é o corpo da mãe, mas um novo ser e com direitos mais fortes que os de sua mãe. Pois se a mãe pede “direito sobre o livre uso do corpo essa criança clama, nesse instante, pelo “direito de ser e viver!” Por outro lado, quando se sugere proteger as adolescentes do risco de um aborto clandestino pela sua legalização estamos, em outras palavras, querendo criar a oportunidade para que uma mãe possa “matar o seu próprio filho e em melhores condições legais e sanitárias”. Estamos criando condições mais apropriadas para uma homicida que quer realizar um assassinato! Estamos aprovando o seu gesto e ajudando-a a realizá-lo tornando-nos cúmplices. É como se, ao sabermos de um assalto ou seqüestro por acontecer, em vez de tentar evitar o crime, déssemos aos malfeitores os instrumentos necessários para que pudessem concretizar sua pretensão e com mais eficiência e menos perigo para si próprios! Em termos de lógica, portanto, estamos diante de um absurdo. Além disso, cabe perguntar: afinal, quem nos diz qual a vida mais preciosa, a da criança por nascer ou a da mãe adolescente? Qual o critério em que nos baseamos para condenar a criança à morte defendendo, em contraposição, os riscos de saúde da mãe que a quer matar? Que tipo de justiça nos ensina que uma criança inocente e sem defesa deve pagar com a própria vida a conduta irresponsável de seus pais, que se uniram em momentos de busca de prazer, sem medir as conseqüências de seus atos?
Sem dúvida, entendemos que as reflexões acima podem chocar quem se acostumou a colocar “panos quentes” sobre a questão, suavizando sentimentalmente a situação existencial dos adolescentes diante da questão de estarem sofrendo o problema da gravidez indesejada. Então, cuide-se com carinho e particularmente de cada adolescente nessa situação. Mas não queiramos corrigir um erro por outro pior, qual seja, oficializando a série de condutas desregradas que conduziram adolescentes ao impasse no qual se encontram, pois estaríamos, evidentemente, estimulando outros jovens a imitarem o exemplo, enfraquecendo suas forças e motivando-os a ceder ao que “é mais fácil”, ao que “mais agrada”, mas que é contrário às suas necessidades fundamentais de plenificação e realização humana. Se continuarmos a “animalizar” o homem, facilitando-lhe a liberação descontrolada de seus instintos e a irresponsabilidade diante de seus atos, a própria natureza se rebelará, pois ela se vinga impiedosamente das faltas que contra a sua ordem se cometem. Estaremos, então, fomentando o egocentrismo, o desrespeito pelo outro, o crescimento da violência, a anormalidade social. E a vida neste planeta se tornaria simplesmente insuportável.
2. O diagnóstico da situação-problema – Para que possamos descobrir as soluções mais adequadas à “situação-problema” acima mencionada, é necessário, em primeiro lugar, entender melhor o que realmente acontece em termos psicológicos com a adolescente que se encontra diante da iminência de praticar o aborto. De fato, o “aborto” se localiza, no mínimo, como a quarta etapa de sofrimentos, os quais poderíamos resumir assim: o desamor primordial, a relação sexual precoce, a surpresa da gravidez e a necessidade do aborto. Vejamos estas diversas fases:
2.1 Apesar das aparências em contrário, os adolescentes são profundamente perturbados por relações sexuais prematuras e inconseqüentes. A situação que hoje coloca a adolescente diante do conflito do aborto começou com uma fase de encontros sexuais dela com um ou mais companheiros. Esses acontecimentos são facilitados pela “permissividade” de nossa época. Mas são eles também gerados pelo que chamamos de “crise do Amor”! Baseamo-nos aqui em dados coletados a partir da Abordagem Direta do Inconsciente ou ADI que é a pesquisa dos conteúdos puros desse nível mental realizada sem hipnose nem interpretação, mas pela busca “direta, consciente e questionada” dessas informações, através do próprio paciente. Essa pesquisa nos comprova que a criança tem consciência de si mesma, desde a concepção, e que já pode, então, atuar sobre o seu todo “psiconoossomático”, beneficiando-se ou prejudicando-se. Realiza ela “programações” nesse sentido e lança em seu inconsciente “registros de base” os quais, uma vez condicionados, desabrocham, vida afora, em grande número e variedade de sintomas. O referencial que a criança busca na concepção, na gestação e na infância para influenciar a estruturação no sentido positivo ou negativo de seu ser é o Amor dos pais entre si e para com ela. Acontece que, atualmente, a vida conjugal e as famílias também vivem uma fase de desestruturação. Conseqüentemente, aumenta a probabilidade de a criança encontrar o “desamor”, tanto no momento crucial da concepção, como na continuidade da formação do seu ser. Tende, então, a agredir-se de maneiras diversas no psiquismo, na mente, na vida relacional, no próprio organismo, mas continua, dentro de si, com desejo profundo e existencial de encontrar-se no Amor. Todos precisamos realizar-nos no Amor. Podemos dispensar o sexo, mas não o Amor. O psicanalista Renée Spitz provou que a criança não sobrevive ao primeiro ano de vida se não tiver Amor, descrevendo os sintomas físicos que conduzem à morte causada diretamente pelo “desamor”. E na adolescência acontece o despertar da sexualidade que orienta esse desejo de amar para o sexo oposto. Assim, os adolescentes lançam-se com todos os seus sonhos e esperanças, próprios da idade, e com a força integral de seu ser, nesses encontros a dois, numa relação sexual precoce, imatura e inconseqüente, mas na busca de compensação daquele inimaginável sofrimento de frustração do Amor primordial. Evidentemente, os jovens depois se decepcionam. E essa desilusão não atinge apenas aquela experiência amorosa, nem somente cria prevenção contra uma futura vida conjugal e familiar, desde aí já destinada a ser difícil mas esse segundo golpe de desamor toca existencialmente o adolescente e seu parceiro, apagando, paulatinamente, o seu vibrante vigor da juventude, o idealismo, a alegria, a esperança. é a esperança da humanidade que está nos jovens! O recurso é, agora, dopar-se com drogas para não sentir a existência. Há outras considerações psicológicas que poderíamos aqui fazer sobre a questão. O que mais importa, no entanto, é entender que mesmo independente de qualquer argumento de ordem moral ou religiosa, as relações sexuais precoces e inconseqüentes prejudicam profundamente o desenvolvimento sadio e integral do adolescente. Aliás, é oportuno lembrar que em estatísticas realizadas na Alemanha e nos EUA, constata-se que, apesar do liberalismo sexual, e exatamente por isso, acontece hoje a maior incidência de casos de “frigidez” e “impotência sexual” de todos os tempos, sintomas esses apresentados em jovens de pouca idade. A permissividade sexual, portanto, não possibilitou aos jovens, nem sequer o conhecimento ou a experiência do autêntico prazer sexual.
2.2 A gravidez inesperada e indesejada da adolescente é um susto existencial, um corte em seus planos de vida, um medo consciente da reação dos outros e um pânico inconsciente diante da percepção do mistério de trazer uma nova vida humana dentro de si. Sabemos que a gravidez na fase da adolescência é profundamente perturbadora. Ainda que a jovem e seu companheiro tenham o apoio dos pais e a compreensão dos amigos, muitas lágrimas são derramadas em torno da questão, noites de sono são perdidas pelo companheiro, enquanto a jovem grávida ainda sofre, quase sempre, uma atitude de rejeição velada ou aberta por parte de quem ela se acreditava eternamente amada. Além desse sofrimento interior, a situação de gravidez exige mudança de vida, confidência aos pais, cuja reação não se pode prever, e provoca tantos outros problemas e preocupações que todos conhecemos. Queremos, no entanto, enfatizar apenas um aspecto novo que se evidencia a partir do inconsciente pesquisado. É que todo casal de adolescentes que se encontra diante de uma gravidez indesejada passa a sofrer o grande conflito entre deixar ou não a criança nascer. Se dizemos “todo” adolescente, não negamos que haja exceções que confirmem a regra. Mas o que se evidencia inequivocamente pela pesquisa do inconsciente é que “não matar” representa um valor intrínseco-universal “inscrito nos corações dos homens” e não um valor “relativo”, externamente imposto ou ensinado. Além disso, é inerente ao ser humano sentir-se comovido pela capacidade de gerar uma vida e diante da possibilidade de vir a ser pai ou mãe! O adolescente ainda não teve tempo de endurecer o seu coração para tornar-se insensível a esse fato! Luta ele, dentro de si, com os dois sentimentos mais extremos do existir humano, e numa alternância continua: sentimento de “doação” ou do “amor” que quer a “vida”, e o “egocentrismo”, ou o “ódio” capaz de “destruí-la”. O desgaste dessa situação emocional é incalculável.
Disse-me um paciente que passara por essa situação quando adolescente: ⇒”Eu me sentia ao mesmo tempo pai e criança, um anjo e um monstro. Pensava em assumir o casamento com aquela menina, mas eu não tinha condições financeiras e a conhecia tão pouco! Eu queria ao menos esperar para ver o rosto de meu filho, mas sabia que então já não teria coragem de matá-lo, e o que faria com ele?! Não consegui encontrar solução e acabei por não mais encontrar a mim mesmo! Interrompi meus estudos, prática de esportes, o seguimento normal de minha vida! Quase enlouqueci e até hoje tremo quando penso nesta criança que ajudei a abortar, pois sinto-a viva, olhando-me! Faria tudo para não ter essa história em minha vida passada!”
2.3 O aborto não é só agressão violenta a um organismo sadio e ao psiquismo, nem é o encerramento de uma série de problemas que vinham se acumulando. Ao contrário, o aborto é o começo de outros grandes sofrimentos, que são levados até o fim da vida e que atravessarão gerações. Um dos maiores sofrimentos que assolam quem praticou o aborto ou quem o estimulou é o que conhecemos por “sentimento de culpa”. Brota esse sentimento, inevitavelmente, do mais íntimo do ser ainda que existam justificativas aparentes e racionais para o erro cometido. A experiência clínica com a ADI nos comprova que o “sentimento de culpa”, originário dos valores pré-reflexivos quando desrespeitados, é automático e expressa-se na forma de autopunição, ainda que as causas nunca sejam “conscientizadas”. Temos, então, os desequilíbrios psicológicos, as depressões e angústias inexplicáveis, o desejo de morte, o bloqueio mental, a agressão diversificada ao organismo através da diminuição imunológica, ou por meio da criação de disfunções, especialmente em torno dos órgãos genitais ou vitais, etc. O paciente com “sentimento de culpa” tende a não se permitir sucesso, alegria e nem mesmo a cura de seus males. E tais manifestações tornam-se ainda mais fortes conforme se associam simbolicamente à causa desse sentimento. Assim, depois de adultos, pessoas com “registros” de culpa de aborto, ainda que de forma totalmente inconsciente, tendem a não se permitir gerar os próprios filhos, e muitas mulheres abortam, então, naturalmente e sem querer, não conseguindo levar as gestações até o final. Outros casais, nessas condições, superprotegem neuroticamente os filhos que conseguiram ter. Então, qualquer doença ou acidente é causa de pânico dos pais, que têm um medo inconsciente de ser castigados. Fixações, fobias, depressão, escrúpulos, tudo isso encontra, inúmeras vezes, um “primeiro elo” num sentimento de culpa e, muitas vezes, em relação a um aborto praticado e registrado no inconsciente. Recordemos também a força e a realidade da tendência de se repetirem, através das gerações, certos traços, problemas, atitudes, maneiras de pensar, de agir e de julgar os fatos. O “sentimento de culpa” é um desses fatores que atravessam gerações, repetindo-se também mediante mecanismos similares de autopunição. Em relação à prática do aborto, o que se observa é o seguinte: se uma mãe, por exemplo, no terceiro mês de gravidez pensou em abortar esse filho ou tentou fazê-lo, se a gravidez for de menina e essa um dia ficar grávida, também tenderá a sentir, em torno do terceiro mês de gravidez, um impulso forte de provocar o aborto. Essa criança, por sua vez, se for mulher, quando engravidar, em torno do terceiro mês, também tenderá a pensar em abortar o seu filho; e assim sucessivamente. Se o filho com tais experiências na gestação for homem, poderá ter sentimentos semelhantes no dia em que estiver para ser pai e aconselhar a esposa grávida a abortar seu filho, sem “conscientizar-se” por que motivo o faz. Mesmo que possa acontecer um corte nesse mecanismo, ou uma decodificação desse registro de ação inconsciente, é de considerar, porém, a seriedade do ato de abortar diante dessa tendência de repetição dos fatos, através das gerações.
3 Propostas de soluções para a situação-problema descrita. As reflexões sobre o “diagnóstico” da situação problema deixam claro que a legalização do aborto não apresenta solução alguma para a questão, apenas piorando-a sob todos os aspectos. A resolução está, em primeiro lugar, numa mudança de posicionamento em relação a esses fatos. Assim, perguntamos: em vez de lutar pela legalização da “morte” de inocentes, ainda no útero materno, por que não se batalha, ao contrário, para que as novas vidas humanas encontrem um sólido ninho de Amor conjugal e um ambiente de receptividade ao serem geradas? Não insistimos tanto em nossos dias pela preservação da vida animal e da vegetação, em movimentos ecológicos? Será a vida humana menos preciosa? Merece a vida da criança a ser gerada ou em gestação menor respeito e consideração? Mudando-se o enfoque da “defesa da morte pelo aborto” para a “defesa da vida”, novas reflexões podem ser feitas, na busca de soluções para a situação-problema apresentada. Acompanhemos as considerações.
3.1 Lembremos inicialmente que a adolescência e a juventude não representam apenas a fase do despertar da sexualidade, mas também a época da atração por grandes ideais. E o ideal onde se situa a capacidade de amar é mais forte no jovem que a necessidade da pura satisfação sexual. Tanto assim é que o jovem tende a “dopar-se” quando não consegue dar vazão ao ideal, quando fica reduzido apenas a experiências menos nobres. Isso o inquieta, porque ele busca naturalmente o “heroísmo” e é capaz de grandes feitos, quando tocado por convicções profundas. É, portanto, junto aos jovens e aos próprios adolescentes que pode ser começado um trabalho em ampla escala de renovação, inclusive em relação à permissividade sexual. Acreditemos no potencial da adolescência, que tem sido abafado pela mentalidade “hedonista” de nossa época. O jovem é aberto por natureza e não escravizado, como o adulto, à acomodação ou a hábitos antigos, e isso, simplesmente, porque não os possui. No jovem adolescente a terra está à espera de boas sementes.
3.2 Fortifique-se a estrutura de base “psiconoológica” do adolescente pela orientação familiar. Já vimos que a criança estrutura todo o seu ser “psiconoossomático” sobre os pilares da qualidade de vida conjugal de seus pais. As dificuldades da adolescência são apenas a eclosão, a época em que essa “criança” exterioriza o que “condicionou” dentro de si, na infância e na fase de gestação. Um adolescente com boa estrutura psicológica alicerçada sobre o Amor conjugal de seus pais e devidamente orientado está em condições de desenvolver um vir-a-ser psicofísico e noológico sadio e equilibrado, rejeitando, então, espontaneamente as relações sexuais irresponsáveis. Em conseqüência, bem mais raramente encontrar-se-á ele diante de uma gravidez indesejada ou frente à situação de pensar no aborto. Entretanto, se vier a acontecer, tudo indica que ele estará pronto a enfrentar com responsabilidade as conseqüências de seus atos, assumindo a vida do ser que gerou. Daí a importância de auxiliar os casais na vivência conjugal e familiar mais harmoniosa. Na realidade, problemas conjugais são de “relacionamento” e podem ser contornados. A pesquisa pela ADI oferece a oportunidade de determinar com precisão, as causas psicológicas que são transferidas para esse contexto conjugal e familiar, permitindo também a remoção dos problemas. A ADI mostra, ainda, pelo inconsciente, a importância das atitudes do “esforço” e do “querer” para que se tenha um bom relacionamento familiar. E aqui é imprescindível que o casal se transcenda, buscando a sua inspiração na Fonte de todo Amor.
3.3 Ensine-se aos jovens o conceito, a vivência e o significado do “humanístico” e do verdadeiro Amor. Nas escolas e faculdades alimentamos o “intelecto” dos alunos. Esmeramo-nos em dar-lhes “conhecimentos científicos” sobre a natureza externa ao homem e, no máximo, sobre aspectos de seu psicofísico. Ensinamos o que o homem “tem”, como “age”, como “funciona”, mas não temos coragem de lhes dizer, com a mesma firmeza, o que o homem “é” e o que realmente o realiza como “ser”. Fala-se de sexo e do amor afetivo, mas silencia-se sobre o Amor “efetivo” e sobre a realidade transcendente do homem. E quando se levantam tais assuntos, são eles conduzidos, em geral, de forma “subjetiva”, ou baseados apenas em normas morais e crenças, sem a força da verdade dos argumentos incontestáveis que estão na base desses temas. Em que deve o jovem basear sua maneira de pensar e de agir sobre a essência do “humano”, se em sua formação lhe são negados esses conhecimentos?
3.4 Comuniquem-se aos jovens as últimas descobertas reveladas pela pesquisa do inconsciente sobre a realidade da criança na fase de gestação, sobre a natureza dos conflitos da adolescência e sobre os segredos de uma harmoniosa vida conjugal. Quando um casal de adolescentes busca abortar uma criança em gestação, em geral está preocupado apenas com a sua situação particular, não se lembrando da “pessoa” da criança. A atenção dos dois, quando pensam no aborto, focaliza somente o “problema imediato”, esquecendo-se de que estão decidindo sobre a vida ou a morte de um ser humano. Se isso acontece, é também porque pela metodologia científica ainda não se conseguiu definir com precisão o momento exato em que a criança se torna pessoa ou quando toma consciência de si como “ser” ou ainda, qual o grau de percepção que tem dos fatos externos quando se encontra no útero materno. Hoje, a pesquisa sobre o inconsciente fornece todas estas informações. Ensine-se, portanto, aos adolescentes e jovens os dados obtidos com essa pesquisa, especialmente que a criança é um ser vivo e inteligente desde a concepção, que ela, desde esse momento, pelo poder da “intuição”, observa sem limitação de tempo, espaço e matéria, tudo que se passa fora dela, sentindo e reagindo. Esclareça-se que essa criança distingue, na concepção, uma realidade diferente dos gametas e do zigoto. De fato, ela “vê” uma “Luz” cuja presença se faz sentir como Amor e acolhimento. Esse núcleo de Luz não é percebido como sendo dos pais, mas vindo diretamente de uma “Luz” maior, distante, do “Infinito”. O paciente, ao perceber e descrever essa “Luz” em terapia, sente que é dela, e não do zigoto, e que recebe o caráter de “pessoa única e irrepetível”. E essa pessoa, a partir da percepção em seu inconsciente, observa também que a Luz aparece em qualquer criança, mesmo que se trate de “filho” de estupro, fisicamente defeituoso ou deficiente. Identifica o paciente, quando levado à concepção, que existe uma espécie de marca” dessa Luz em seus gametas, tudo lhe provando que ele não está surgindo por “acaso”. Finalmente, o paciente, se tiver “filhos abortados”, pode sentir que, ao matar-lhes o corpo, não consegue destruir-lhes o ser imaterial. Concluindo: em relação à “situação-problema” que focaliza o aborto existem, portanto, soluções diferentes que não a “matança desses inocentes”. E existem muitos jovens e adultos, também em nossos dias, que acreditam na força do Amor e do bem. Arregacemos, portanto, as mangas, engrossando as fileiras dos que lutam pela re-humanização do homem. Estamos no momento certo da história para gerar mudanças. Os homens estão cansados da auto-ilusão gerada por falsas propostas de felicidade. A juventude e a humanidade anseiam pelo retorno aos valores estáveis e transcendentes. Por isso, acreditamos na importância da gota d’água de nossa contribuição, pois ela deverá se unir a outras e acabar por formar rios e cascatas de alto potencial transformador.

“O inconsciente sem fronteiras” – Renate Jost de Moraes – Ed. Idéias & Letras, 11a edição – revista e atualizada.

OBS: As ênfases no texto foram adicionadas por mim e não seguem as da publicação original.

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