O aborto na adolescência

1. A situação-problema – Um dos grandes problemas humano-sociais, que tem preocupado educadores, médicos, psicólogos e pais de família, é o crescente número de jovens, freqüentemente ainda no início da adolescência, que inesperadamente engravidam e que, não tendo condições ou não estando dispostas a enfrentar a responsabilidade da criação de um filho, buscam a solução mais imediata, a da eliminação dessa criança pela prática do aborto. Entretanto, como sabemos, o aborto é proibido por nossas leis. Assim, a adolescente recorre à clandestinidade para conseguir seu objetivo, o que a expõe a grandes riscos de saúde e até de vida. Essa é a situação de fato que tem preocupado profissionais de alguma forma ligados à área. E a proposta de solução tem sido freqüentemente muito simplista e imediatista, baseada apenas na defesa da idéia de que é preciso legalizar o aborto para que a adolescente possa realizar essa intervenção sem correr riscos de saúde. Ora, essa pretensa solução orienta-se apenas para os últimos “efeitos” de uma seqüência de problemas sérios e, ainda de tal forma, que proporciona o aumento da “situação-problema” em si. Pois, é evidente que, se facilitarmos as condições do aborto, estaremos diminuindo as restrições às gravidezes irresponsáveis e, mesmo aprovando-as, tacitamente, da mesma forma como expressamos assim a concordância com a libertinagem e a devassidão sexual entre adolescentes. Finalmente, estaríamos ampliando o número de jovens que viriam a necessitar da intervenção do aborto. É impressionante como somos, com tanta freqüência, envolvidos sutilmente por sofismas, a ponto de não nos darmos conta de nossos contra-sensos, distorções de raciocínio e inversão de valores. Essa distorção se expressa, por exemplo, num dos chavões muito repetidos em defesa do aborto, que diz ter a mulher “direito sobre o seu corpo”. Realmente o tem, mas é na hora em que decide se vai ou não realizar o ato sexual. De momento que ela esteja grávida, a criança já não é o corpo da mãe, mas um novo ser e com direitos mais fortes que os de sua mãe. Pois se a mãe pede “direito sobre o livre uso do corpo essa criança clama, nesse instante, pelo “direito de ser e viver!” Por outro lado, quando se sugere proteger as adolescentes do risco de um aborto clandestino pela sua legalização estamos, em outras palavras, querendo criar a oportunidade para que uma mãe possa “matar o seu próprio filho e em melhores condições legais e sanitárias”. Estamos criando condições mais apropriadas para uma homicida que quer realizar um assassinato! Estamos aprovando o seu gesto e ajudando-a a realizá-lo tornando-nos cúmplices. É como se, ao sabermos de um assalto ou seqüestro por acontecer, em vez de tentar evitar o crime, déssemos aos malfeitores os instrumentos necessários para que pudessem concretizar sua pretensão e com mais eficiência e menos perigo para si próprios! Em termos de lógica, portanto, estamos diante de um absurdo. Além disso, cabe perguntar: afinal, quem nos diz qual a vida mais preciosa, a da criança por nascer ou a da mãe adolescente? Qual o critério em que nos baseamos para condenar a criança à morte defendendo, em contraposição, os riscos de saúde da mãe que a quer matar? Que tipo de justiça nos ensina que uma criança inocente e sem defesa deve pagar com a própria vida a conduta irresponsável de seus pais, que se uniram em momentos de busca de prazer, sem medir as conseqüências de seus atos?
Sem dúvida, entendemos que as reflexões acima podem chocar quem se acostumou a colocar “panos quentes” sobre a questão, suavizando sentimentalmente a situação existencial dos adolescentes diante da questão de estarem sofrendo o problema da gravidez indesejada. Então, cuide-se com carinho e particularmente de cada adolescente nessa situação. Mas não queiramos corrigir um erro por outro pior, qual seja, oficializando a série de condutas desregradas que conduziram adolescentes ao impasse no qual se encontram, pois estaríamos, evidentemente, estimulando outros jovens a imitarem o exemplo, enfraquecendo suas forças e motivando-os a ceder ao que “é mais fácil”, ao que “mais agrada”, mas que é contrário às suas necessidades fundamentais de plenificação e realização humana. Se continuarmos a “animalizar” o homem, facilitando-lhe a liberação descontrolada de seus instintos e a irresponsabilidade diante de seus atos, a própria natureza se rebelará, pois ela se vinga impiedosamente das faltas que contra a sua ordem se cometem. Estaremos, então, fomentando o egocentrismo, o desrespeito pelo outro, o crescimento da violência, a anormalidade social. E a vida neste planeta se tornaria simplesmente insuportável.
2. O diagnóstico da situação-problema – Para que possamos descobrir as soluções mais adequadas à “situação-problema” acima mencionada, é necessário, em primeiro lugar, entender melhor o que realmente acontece em termos psicológicos com a adolescente que se encontra diante da iminência de praticar o aborto. De fato, o “aborto” se localiza, no mínimo, como a quarta etapa de sofrimentos, os quais poderíamos resumir assim: o desamor primordial, a relação sexual precoce, a surpresa da gravidez e a necessidade do aborto. Vejamos estas diversas fases:
2.1 Apesar das aparências em contrário, os adolescentes são profundamente perturbados por relações sexuais prematuras e inconseqüentes. A situação que hoje coloca a adolescente diante do conflito do aborto começou com uma fase de encontros sexuais dela com um ou mais companheiros. Esses acontecimentos são facilitados pela “permissividade” de nossa época. Mas são eles também gerados pelo que chamamos de “crise do Amor”! Baseamo-nos aqui em dados coletados a partir da Abordagem Direta do Inconsciente ou ADI que é a pesquisa dos conteúdos puros desse nível mental realizada sem hipnose nem interpretação, mas pela busca “direta, consciente e questionada” dessas informações, através do próprio paciente. Essa pesquisa nos comprova que a criança tem consciência de si mesma, desde a concepção, e que já pode, então, atuar sobre o seu todo “psiconoossomático”, beneficiando-se ou prejudicando-se. Realiza ela “programações” nesse sentido e lança em seu inconsciente “registros de base” os quais, uma vez condicionados, desabrocham, vida afora, em grande número e variedade de sintomas. O referencial que a criança busca na concepção, na gestação e na infância para influenciar a estruturação no sentido positivo ou negativo de seu ser é o Amor dos pais entre si e para com ela. Acontece que, atualmente, a vida conjugal e as famílias também vivem uma fase de desestruturação. Conseqüentemente, aumenta a probabilidade de a criança encontrar o “desamor”, tanto no momento crucial da concepção, como na continuidade da formação do seu ser. Tende, então, a agredir-se de maneiras diversas no psiquismo, na mente, na vida relacional, no próprio organismo, mas continua, dentro de si, com desejo profundo e existencial de encontrar-se no Amor. Todos precisamos realizar-nos no Amor. Podemos dispensar o sexo, mas não o Amor. O psicanalista Renée Spitz provou que a criança não sobrevive ao primeiro ano de vida se não tiver Amor, descrevendo os sintomas físicos que conduzem à morte causada diretamente pelo “desamor”. E na adolescência acontece o despertar da sexualidade que orienta esse desejo de amar para o sexo oposto. Assim, os adolescentes lançam-se com todos os seus sonhos e esperanças, próprios da idade, e com a força integral de seu ser, nesses encontros a dois, numa relação sexual precoce, imatura e inconseqüente, mas na busca de compensação daquele inimaginável sofrimento de frustração do Amor primordial. Evidentemente, os jovens depois se decepcionam. E essa desilusão não atinge apenas aquela experiência amorosa, nem somente cria prevenção contra uma futura vida conjugal e familiar, desde aí já destinada a ser difícil mas esse segundo golpe de desamor toca existencialmente o adolescente e seu parceiro, apagando, paulatinamente, o seu vibrante vigor da juventude, o idealismo, a alegria, a esperança. é a esperança da humanidade que está nos jovens! O recurso é, agora, dopar-se com drogas para não sentir a existência. Há outras considerações psicológicas que poderíamos aqui fazer sobre a questão. O que mais importa, no entanto, é entender que mesmo independente de qualquer argumento de ordem moral ou religiosa, as relações sexuais precoces e inconseqüentes prejudicam profundamente o desenvolvimento sadio e integral do adolescente. Aliás, é oportuno lembrar que em estatísticas realizadas na Alemanha e nos EUA, constata-se que, apesar do liberalismo sexual, e exatamente por isso, acontece hoje a maior incidência de casos de “frigidez” e “impotência sexual” de todos os tempos, sintomas esses apresentados em jovens de pouca idade. A permissividade sexual, portanto, não possibilitou aos jovens, nem sequer o conhecimento ou a experiência do autêntico prazer sexual.
2.2 A gravidez inesperada e indesejada da adolescente é um susto existencial, um corte em seus planos de vida, um medo consciente da reação dos outros e um pânico inconsciente diante da percepção do mistério de trazer uma nova vida humana dentro de si. Sabemos que a gravidez na fase da adolescência é profundamente perturbadora. Ainda que a jovem e seu companheiro tenham o apoio dos pais e a compreensão dos amigos, muitas lágrimas são derramadas em torno da questão, noites de sono são perdidas pelo companheiro, enquanto a jovem grávida ainda sofre, quase sempre, uma atitude de rejeição velada ou aberta por parte de quem ela se acreditava eternamente amada. Além desse sofrimento interior, a situação de gravidez exige mudança de vida, confidência aos pais, cuja reação não se pode prever, e provoca tantos outros problemas e preocupações que todos conhecemos. Queremos, no entanto, enfatizar apenas um aspecto novo que se evidencia a partir do inconsciente pesquisado. É que todo casal de adolescentes que se encontra diante de uma gravidez indesejada passa a sofrer o grande conflito entre deixar ou não a criança nascer. Se dizemos “todo” adolescente, não negamos que haja exceções que confirmem a regra. Mas o que se evidencia inequivocamente pela pesquisa do inconsciente é que “não matar” representa um valor intrínseco-universal “inscrito nos corações dos homens” e não um valor “relativo”, externamente imposto ou ensinado. Além disso, é inerente ao ser humano sentir-se comovido pela capacidade de gerar uma vida e diante da possibilidade de vir a ser pai ou mãe! O adolescente ainda não teve tempo de endurecer o seu coração para tornar-se insensível a esse fato! Luta ele, dentro de si, com os dois sentimentos mais extremos do existir humano, e numa alternância continua: sentimento de “doação” ou do “amor” que quer a “vida”, e o “egocentrismo”, ou o “ódio” capaz de “destruí-la”. O desgaste dessa situação emocional é incalculável.
Disse-me um paciente que passara por essa situação quando adolescente: ⇒”Eu me sentia ao mesmo tempo pai e criança, um anjo e um monstro. Pensava em assumir o casamento com aquela menina, mas eu não tinha condições financeiras e a conhecia tão pouco! Eu queria ao menos esperar para ver o rosto de meu filho, mas sabia que então já não teria coragem de matá-lo, e o que faria com ele?! Não consegui encontrar solução e acabei por não mais encontrar a mim mesmo! Interrompi meus estudos, prática de esportes, o seguimento normal de minha vida! Quase enlouqueci e até hoje tremo quando penso nesta criança que ajudei a abortar, pois sinto-a viva, olhando-me! Faria tudo para não ter essa história em minha vida passada!”
2.3 O aborto não é só agressão violenta a um organismo sadio e ao psiquismo, nem é o encerramento de uma série de problemas que vinham se acumulando. Ao contrário, o aborto é o começo de outros grandes sofrimentos, que são levados até o fim da vida e que atravessarão gerações. Um dos maiores sofrimentos que assolam quem praticou o aborto ou quem o estimulou é o que conhecemos por “sentimento de culpa”. Brota esse sentimento, inevitavelmente, do mais íntimo do ser ainda que existam justificativas aparentes e racionais para o erro cometido. A experiência clínica com a ADI nos comprova que o “sentimento de culpa”, originário dos valores pré-reflexivos quando desrespeitados, é automático e expressa-se na forma de autopunição, ainda que as causas nunca sejam “conscientizadas”. Temos, então, os desequilíbrios psicológicos, as depressões e angústias inexplicáveis, o desejo de morte, o bloqueio mental, a agressão diversificada ao organismo através da diminuição imunológica, ou por meio da criação de disfunções, especialmente em torno dos órgãos genitais ou vitais, etc. O paciente com “sentimento de culpa” tende a não se permitir sucesso, alegria e nem mesmo a cura de seus males. E tais manifestações tornam-se ainda mais fortes conforme se associam simbolicamente à causa desse sentimento. Assim, depois de adultos, pessoas com “registros” de culpa de aborto, ainda que de forma totalmente inconsciente, tendem a não se permitir gerar os próprios filhos, e muitas mulheres abortam, então, naturalmente e sem querer, não conseguindo levar as gestações até o final. Outros casais, nessas condições, superprotegem neuroticamente os filhos que conseguiram ter. Então, qualquer doença ou acidente é causa de pânico dos pais, que têm um medo inconsciente de ser castigados. Fixações, fobias, depressão, escrúpulos, tudo isso encontra, inúmeras vezes, um “primeiro elo” num sentimento de culpa e, muitas vezes, em relação a um aborto praticado e registrado no inconsciente. Recordemos também a força e a realidade da tendência de se repetirem, através das gerações, certos traços, problemas, atitudes, maneiras de pensar, de agir e de julgar os fatos. O “sentimento de culpa” é um desses fatores que atravessam gerações, repetindo-se também mediante mecanismos similares de autopunição. Em relação à prática do aborto, o que se observa é o seguinte: se uma mãe, por exemplo, no terceiro mês de gravidez pensou em abortar esse filho ou tentou fazê-lo, se a gravidez for de menina e essa um dia ficar grávida, também tenderá a sentir, em torno do terceiro mês de gravidez, um impulso forte de provocar o aborto. Essa criança, por sua vez, se for mulher, quando engravidar, em torno do terceiro mês, também tenderá a pensar em abortar o seu filho; e assim sucessivamente. Se o filho com tais experiências na gestação for homem, poderá ter sentimentos semelhantes no dia em que estiver para ser pai e aconselhar a esposa grávida a abortar seu filho, sem “conscientizar-se” por que motivo o faz. Mesmo que possa acontecer um corte nesse mecanismo, ou uma decodificação desse registro de ação inconsciente, é de considerar, porém, a seriedade do ato de abortar diante dessa tendência de repetição dos fatos, através das gerações.
3 Propostas de soluções para a situação-problema descrita. As reflexões sobre o “diagnóstico” da situação problema deixam claro que a legalização do aborto não apresenta solução alguma para a questão, apenas piorando-a sob todos os aspectos. A resolução está, em primeiro lugar, numa mudança de posicionamento em relação a esses fatos. Assim, perguntamos: em vez de lutar pela legalização da “morte” de inocentes, ainda no útero materno, por que não se batalha, ao contrário, para que as novas vidas humanas encontrem um sólido ninho de Amor conjugal e um ambiente de receptividade ao serem geradas? Não insistimos tanto em nossos dias pela preservação da vida animal e da vegetação, em movimentos ecológicos? Será a vida humana menos preciosa? Merece a vida da criança a ser gerada ou em gestação menor respeito e consideração? Mudando-se o enfoque da “defesa da morte pelo aborto” para a “defesa da vida”, novas reflexões podem ser feitas, na busca de soluções para a situação-problema apresentada. Acompanhemos as considerações.
3.1 Lembremos inicialmente que a adolescência e a juventude não representam apenas a fase do despertar da sexualidade, mas também a época da atração por grandes ideais. E o ideal onde se situa a capacidade de amar é mais forte no jovem que a necessidade da pura satisfação sexual. Tanto assim é que o jovem tende a “dopar-se” quando não consegue dar vazão ao ideal, quando fica reduzido apenas a experiências menos nobres. Isso o inquieta, porque ele busca naturalmente o “heroísmo” e é capaz de grandes feitos, quando tocado por convicções profundas. É, portanto, junto aos jovens e aos próprios adolescentes que pode ser começado um trabalho em ampla escala de renovação, inclusive em relação à permissividade sexual. Acreditemos no potencial da adolescência, que tem sido abafado pela mentalidade “hedonista” de nossa época. O jovem é aberto por natureza e não escravizado, como o adulto, à acomodação ou a hábitos antigos, e isso, simplesmente, porque não os possui. No jovem adolescente a terra está à espera de boas sementes.
3.2 Fortifique-se a estrutura de base “psiconoológica” do adolescente pela orientação familiar. Já vimos que a criança estrutura todo o seu ser “psiconoossomático” sobre os pilares da qualidade de vida conjugal de seus pais. As dificuldades da adolescência são apenas a eclosão, a época em que essa “criança” exterioriza o que “condicionou” dentro de si, na infância e na fase de gestação. Um adolescente com boa estrutura psicológica alicerçada sobre o Amor conjugal de seus pais e devidamente orientado está em condições de desenvolver um vir-a-ser psicofísico e noológico sadio e equilibrado, rejeitando, então, espontaneamente as relações sexuais irresponsáveis. Em conseqüência, bem mais raramente encontrar-se-á ele diante de uma gravidez indesejada ou frente à situação de pensar no aborto. Entretanto, se vier a acontecer, tudo indica que ele estará pronto a enfrentar com responsabilidade as conseqüências de seus atos, assumindo a vida do ser que gerou. Daí a importância de auxiliar os casais na vivência conjugal e familiar mais harmoniosa. Na realidade, problemas conjugais são de “relacionamento” e podem ser contornados. A pesquisa pela ADI oferece a oportunidade de determinar com precisão, as causas psicológicas que são transferidas para esse contexto conjugal e familiar, permitindo também a remoção dos problemas. A ADI mostra, ainda, pelo inconsciente, a importância das atitudes do “esforço” e do “querer” para que se tenha um bom relacionamento familiar. E aqui é imprescindível que o casal se transcenda, buscando a sua inspiração na Fonte de todo Amor.
3.3 Ensine-se aos jovens o conceito, a vivência e o significado do “humanístico” e do verdadeiro Amor. Nas escolas e faculdades alimentamos o “intelecto” dos alunos. Esmeramo-nos em dar-lhes “conhecimentos científicos” sobre a natureza externa ao homem e, no máximo, sobre aspectos de seu psicofísico. Ensinamos o que o homem “tem”, como “age”, como “funciona”, mas não temos coragem de lhes dizer, com a mesma firmeza, o que o homem “é” e o que realmente o realiza como “ser”. Fala-se de sexo e do amor afetivo, mas silencia-se sobre o Amor “efetivo” e sobre a realidade transcendente do homem. E quando se levantam tais assuntos, são eles conduzidos, em geral, de forma “subjetiva”, ou baseados apenas em normas morais e crenças, sem a força da verdade dos argumentos incontestáveis que estão na base desses temas. Em que deve o jovem basear sua maneira de pensar e de agir sobre a essência do “humano”, se em sua formação lhe são negados esses conhecimentos?
3.4 Comuniquem-se aos jovens as últimas descobertas reveladas pela pesquisa do inconsciente sobre a realidade da criança na fase de gestação, sobre a natureza dos conflitos da adolescência e sobre os segredos de uma harmoniosa vida conjugal. Quando um casal de adolescentes busca abortar uma criança em gestação, em geral está preocupado apenas com a sua situação particular, não se lembrando da “pessoa” da criança. A atenção dos dois, quando pensam no aborto, focaliza somente o “problema imediato”, esquecendo-se de que estão decidindo sobre a vida ou a morte de um ser humano. Se isso acontece, é também porque pela metodologia científica ainda não se conseguiu definir com precisão o momento exato em que a criança se torna pessoa ou quando toma consciência de si como “ser” ou ainda, qual o grau de percepção que tem dos fatos externos quando se encontra no útero materno. Hoje, a pesquisa sobre o inconsciente fornece todas estas informações. Ensine-se, portanto, aos adolescentes e jovens os dados obtidos com essa pesquisa, especialmente que a criança é um ser vivo e inteligente desde a concepção, que ela, desde esse momento, pelo poder da “intuição”, observa sem limitação de tempo, espaço e matéria, tudo que se passa fora dela, sentindo e reagindo. Esclareça-se que essa criança distingue, na concepção, uma realidade diferente dos gametas e do zigoto. De fato, ela “vê” uma “Luz” cuja presença se faz sentir como Amor e acolhimento. Esse núcleo de Luz não é percebido como sendo dos pais, mas vindo diretamente de uma “Luz” maior, distante, do “Infinito”. O paciente, ao perceber e descrever essa “Luz” em terapia, sente que é dela, e não do zigoto, e que recebe o caráter de “pessoa única e irrepetível”. E essa pessoa, a partir da percepção em seu inconsciente, observa também que a Luz aparece em qualquer criança, mesmo que se trate de “filho” de estupro, fisicamente defeituoso ou deficiente. Identifica o paciente, quando levado à concepção, que existe uma espécie de marca” dessa Luz em seus gametas, tudo lhe provando que ele não está surgindo por “acaso”. Finalmente, o paciente, se tiver “filhos abortados”, pode sentir que, ao matar-lhes o corpo, não consegue destruir-lhes o ser imaterial. Concluindo: em relação à “situação-problema” que focaliza o aborto existem, portanto, soluções diferentes que não a “matança desses inocentes”. E existem muitos jovens e adultos, também em nossos dias, que acreditam na força do Amor e do bem. Arregacemos, portanto, as mangas, engrossando as fileiras dos que lutam pela re-humanização do homem. Estamos no momento certo da história para gerar mudanças. Os homens estão cansados da auto-ilusão gerada por falsas propostas de felicidade. A juventude e a humanidade anseiam pelo retorno aos valores estáveis e transcendentes. Por isso, acreditamos na importância da gota d’água de nossa contribuição, pois ela deverá se unir a outras e acabar por formar rios e cascatas de alto potencial transformador.

“O inconsciente sem fronteiras” – Renate Jost de Moraes – Ed. Idéias & Letras, 11a edição – revista e atualizada.

OBS: As ênfases no texto foram adicionadas por mim e não seguem as da publicação original.

Anúncios

VOCÊ CONHECE O QUE SABE?

Há algum tempo venho observando a decadência moral de boa parte da população brasileira e, por que não, do mundo ocidental. O que antes era moralmente inaceitável torna-se virtude do dia para a noite, e ninguém sabe ao certo por que isso acontece nem como.  A vida humana passou a ter valor nenhum pois, conforme o mundo utópico socialista-evolucionista, ateísta portanto, nós não passamos de um amontoado de partículas atômicas que associadas conseguem fazer com que eu pense, lembre do passado e possa imaginar o futuro, consiga entender outra pessoa, enfim, coisas imateriais resumidas em sentidos vindos de forças atômicas materiais que não mantém relação física alguma com o que se passa em mim. Contudo, ninguém explica quando e como a primeira molécula teve uma idéia. Faço um parêntese: existem ateus intelectualmente honestos e sensíveis aos outros, e não militam para destruir qualquer manifestação de fé religiosa. Refiro-me aqui aos ateístas militantes, cujo ateísmo não passa de ideologia barata e revolucionária.

A ideologia penetrou em todas as camadas da cultura ocidental, contaminando-a por dentro. Hoje, poucas pessoas se dão conta de que vivem o socialismo porque já estão no automático, assim como um peixe não vê a água que o circunda e nem imagina que a mesma água faça parte dele também. Por conta disso, as pessoas desistem de buscar a realidade mesma e vivem em função do que lhes é ensinado sem sequer procurarem em si mesmas as verdades universais postas em cada um pelo Criador para estabelecerem comparações e chegarem à verdade. A ignorância passou a fazer parte do ser assim como a água faz parte do peixe. Passou a fazer parte das pessoas, transformando-as em autômatos que repetem o que sabem sem se darem ao trabalho de entender se é ou não verdade sólida o que lhes dá sentido à vida ou lhes tira o sentido dela. Enfim, as pessoas desconhecem.

Talvez, leitor, você esteja pensando que errei na frase anterior por não ter completado o verbo desconhecer. Mas, não. Foi proposital. Uma das causas da desmoralização da sociedade ocidental, e talvez a principal, seja o ato de desconhecer. Para que possamos compreender o que significa desconhecer é preciso, primeiro, entender o que significa conhecer.

Confundimos saber com conhecer. Saber tem o sentido de tomar contato com algo e estar ciente da sua existência. A ciência é isto e não passa disto. Conhecer é algo bem mais profundo do que apenas saber. De uma maneira bem simples, para que muitos possam entender, a palavra conhecer pode ser entendida como ‘com e ser’. Algumas vezes uma junção de palavras tem o sentido inverso do que queremos dizer com elas, assim, pode-se entender que conhecer é ‘ser com’. Como somente uma pessoa singular pode ‘ser com’ outra ou com alguma coisa que sabe, então, pode-se dizer que conhecer é ‘um ser com’, sem que o sentido se modifique.

Numa sala de aula o professor ensina um assunto. Alguns ficam sabendo, outros ficam  conhecendo. Os que sabem nem sempre conhecem, mas todos os que conhecem sempre sabem. Daí vem o sentido de sabedoria, que é a vivência do saber. Mas, para que isso ocorra, é necessário que o saber ultrapasse o lugar onde está e penetre fundo no entendimento. Quando isso acontece, o saber transforma quem o recebe e assim ocorre o ‘um ser com’ o que se sabe. A transformação é profunda e influencia a vida e os atos daquele que conhece algo, daquele que é ‘um ser com’ esse algo agora conhecido.

A Escritura usa o verbo conhecer nesse sentido mesmo. Veja o texto abaixo:

E CONHECEU Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem.”  (Gn. 4:1).

Veja que ‘conhecer’ não é ter relações sexuais, mas ‘um ser com’ outro, ou ‘um ser em’ outro. Pode-se entender também ‘ser um com’ outro, dando mais sentido. Por isso Deus diz que serão ambos uma só carne – dois em um – pois é assim mesmo que ocorre no relacionamento sexual. Daí tem-se a concepção. A palavra conceber significa tanto gerar quanto compreender. Compreender é apreender junto com. Apreender significa segurar, reter, prender. Reescrevendo o versículo:

E foi Adão um só com Eva, sua mulher, e ela reteve junto consigo a vida que dele vinha, e gerou um novo ser em si mesma, e trouxe Caim à luz, e disse: Alcancei do SENHOR um homem.” – ‘Foi um só com’ é exatamente o sentido de conheceu.

Disso, é possível ver a seriedade da relação sexual, do casamento, bem como do sentido da conversão. Uma pessoa pode saber de Jesus sem conhecê-Lo realmente. Conhecer é ‘ser um com’ de tal forma que haja transformação e vida. Jesus disse: “Eu sou o caminho e a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Tudo o que Deus cria prospera, vai adiante sem retroceder, gera vida e não morte, pois tudo foi criado por Ele e por intermédio Dele – a Vida. Sem Ele – Jesus – nada do que foi feito se fez.

Agora, talvez, fique mais fácil compreender por que boa parte da população mundial está decadente: porque desconhece, porque gera morte e não vida, porque não ‘é um com’ a Vida. O profeta Oséias escreveu as seguintes palavras do Senhor: Meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento – Os. 4:6. Em outras palavras, meu povo sofre porque não é um comigo.

Quanto mais a igreja aceitar as doutrinas socialistas em seu meio, mais desconhecerá, pois tais doutrinas têm origem satânica. Satanás sabe a Bíblia mas não a conhece. Se a conhecesse, seria transformado pela Palavra de Deus, que lhe penetraria no mais profundo de seu ser e o mudaria em um ser novo, passaria a ‘ser um com’ Cristo. Lúcifer desconheceu Deus, por isso está na morte assim como todos os que saem deste mundo desconhecendo Cristo.

Eis o sentido de ‘nascer de novo’: vir à Luz, que é Cristo. Ser cristão não é lutar por uma causa, ainda que existam milhões de pobres no mundo. Ser cristão é ‘ser um com’ Cristo, é conhecer Cristo e ser conhecido Dele – Ele também passa a ‘ser um com’ aquele que O conhece. Se os pobres ‘forem um com’ Cristo, também nascerão de novo e serão transformados e transformadores. Ser um com Deus é desconhecer a miséria e a morte. Governos ideológicos sabem essa verdade, por isso lutam contra.

Eis o sentido do casamento entre Cristo e a Igreja: conheça Jesus, retenha a vida que vem Dele e gere novas vidas que têm como origem o Amor. Se você ainda não O conhece, já sabe o que fazer. Não há mundo melhor na ideologia da morte.

Crianças são bênçãos

Bênçãos são sempre bem-vindas, porque fazem bem. Bênçãos nunca prejudicam. O que exatamente significa essa palavra? Bênção quer dizer presente, benefício, vantagem e tudo o que promove a prosperidade e o bem-estar espiritual e até físico.
Se prosperidade espiritual, física e material é bênção, naturalmente queremos em abundância. É por isso que quando o assunto é bênção, queremos muitas. Não cessamos de pedi-las em nossas orações diárias.
Com a luz poderosa da Palavra de Deus, podemos ver tudo o que Deus classifica como bênçãos. Deus considera a fertilidade humana bênção.
Antes da queda humana, Adão e Eva haviam recebido o primeiro mandamento de se multiplicar. Deus queria que eles tivessem filhos em abundância. Depois da queda, Deus não revogou nem seu mandamento nem seu propósito. Aliás, ele disse:
“Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta”. (Salmos 127:3-5 ACF)
Nessa passagem, Deus classifica os filhos como bênçãos e diz que feliz, abençoado e bem-aventurado é o homem que se enche dessas bênçãos!
Contudo, o homem temente a Deus não tem muitos filhos casualmente. Ele os tem com um propósito. Ele sabe que este mundo está em guerra. Por isso, ele vê cada um de seus filhos como uma flecha — com um alvo determinado a atingir na guerra.
Ele enche a sua aljava — o lugar que o guerreiro usa para guardar as suas flechas — e espera o momento exato de usá-las. Quando o momento chegar, ele atingirá o alvo de modo certeiro.
É a missão do pai guerreiro levar os filhos ao seu alvo de guerra, tendo como prioridade de missão na vida de cada um deles cumprir os objetivos do Reino de Deus, não os objetivos do reino deste mundo.
Filhos são bênçãos. Muitos filhos são bênçãos muito maiores — para seus pais e para o mundo, que precisa ser tocado por homens e mulheres criados e educados em famílias onde as bênçãos de Deus são bem-vindas, não controladas.
O pai que tiver tal mentalidade espiritual e encher sua aljava de bênçãos será um guerreiro treinando guerreiros, todos trabalhando em prol da expansão do Reino de Deus aqui na terra.
Para os pais guerreiros, não existe bênçãos materiais que se igualem a uma família numerosa — um verdadeiro e abençoado exército espiritual dedicado a cumprir os alvos militares do Comandante Jesus Cristo para este mundo em trevas.

A verdade e sua origem

Existem pessoas que acreditam em tudo, principalmente se o que for dito estiver escrito na Bíblia. Não tenho dúvida alguma da veracidade da Escritura, mas há algo mais que precisa ser observado.

Os cristãos sabem que a Escritura foi inspirada por Deus para ensino e correção, mas alguns se esquecem de conferir a origem, melhor dizendo, quem está citando a Escritura e por quê. Assim, além da origem, é importante perceber a intenção de quem diz.

Deus falou com o primeiro casal e orientou-os para que não caíssem em erro. A serpente usou a mesma palavra dita por Deus e mudou o sentido do que havia sido falado. Acatando a sugestão, o casal caiu no erro. Assim, a intenção de quem diz é tão importante quanto o que é dito. Primeiro analisamos o que é falado; em seguida, observamos quem fala, por quê fala  e, só depois, podemos tirar algumas conclusões.

Jesus disse que o diabo é o pai da mentira, e isso é um fato. No entanto, ele falou algumas verdades também. Vejamos:

E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Mt.4:6

O texto é verdadeiro e está na Escritura do Antigo Testamento, no Salmo 91:11. Então, onde está a mentira? Está no contexto. O diabo levou o Senhor ao pináculo do templo, coisa que as pessoas não fazem normalmente. Se Jesus aceitasse a provocação, estaria tentando ao Pai para ver se Deus iria mesmo socorrê-lo; ao mesmo tempo, estaria obedecendo uma ordem de Satanás. Jesus respondeu prontamente: Também está escrito: Não tentarás ao Senhor teu Deus.

Há outro texto onde um espírito maligno também fala uma verdade. Paulo teve um sonho e foi com Silas para Filipos (At.16). Lá chegando, começou a pregar, e uma jovem, com espírito adivinhador, começou a segui-los, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.

Ela fez isso por muitos dias até que Paulo, perturbado, repreendeu o espírito imundo, que saiu na mesma hora. Observe o seguinte:

  • O espírito dizia: … que nos anunciam o caminho da salvação… O espírito sabia que não seria salvo de forma alguma, mas disse nos anunciam o caminho da salvação. Até este ponto, Paulo poderia entender que se tratava de uma jovem normal, sem qualquer problema espiritual, e não de um espírito maligno.
  • No entanto, o espírito continuou agindo desta forma por vários dias, o quê perturbou o apóstolo.

O espírito maligno dizia alguma mentira? Exceto o nos, não. Paulo e Silas, de fato, anunciavam o caminho da salvação. Então, onde está a mentira? Da mesmíssima forma que sempre foi usada pelo diabo, a mentira estava na intenção. Ele queria provocar tumulto, pois clamou tanto até que Paulo ficasse perturbado. Sabendo que seria expulso e que não daria mais lucro aos senhores daquela jovem, alguma coisa aconteceria com aqueles pregadores do evangelho. E, de fato, foi exatamente o que aconteceu.

E, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados.

Paulo e Silas foram açoitados e presos e, apesar disso, depois de um milagroso terremoto, saíram da cela e levaram o carcereiro e toda sua família ao encontro de Cristo.

Todas as vezes em que Satanás aparece falando uma verdade, ele tem uma intenção diferente daquela exposta pela própria verdade. Se a verdade afirma algo, ele tem a intenção de negá-la ou de provocar confusão. Se a verdade ensina algo, ele tentará usar a verdade para ensinar algo totalmente diferente, que desvie o ouvinte da verdade mesma. Ele fez assim com o primeiro casal e faz isso até hoje. A tática é sempre a mesma, e sempre pega os que não vigiam com atenção. Por isso é importantíssimo observar quem nos fala alguma coisa, quem cita a Escritura, com qual intenção e para onde aquela palavra nos conduz. Há diversos níveis de engano e todo cristão deve estar muito atento para detectar em qual nível está a intenção do inimigo.

Quando eu converso com você, na verdade, existem seis pessoas conversando:

  1. Eu real
  2. Você real
  3. A imagem que faço de mim
  4. A imagem que você faz de você
  5. A imagem que eu faço de você
  6. A imagem que você faz de mim.

Ao ouvirmos um ensino, uma citação da Escritura ou estando numa conversa com alguém, precisamos entender esses níveis de diálogo. Vamos ver onde o espírito maligno guardava sua intenção. Vou repetir o número dos itens para melhor compreensão.

  1. Paulo;
  2. A jovem  – e o espírito adivinhador (até aqui, Paulo não sabia dele);
  3. O que Paulo pensava de si mesmo
  4. O que o espírito pensava de si mesmo;
  5. O que Paulo pensou da jovem (aqui Paulo começa a desconfiar de algo);
  6. O que o espírito pensava de Paulo.

Vou distinguir a jovem na explicação apenas para facilitar o entendimento.

Paulo ouviu a jovem falar às pessoas de Filipos que Silas e ele eram pregadores da salvação e servos do Deus altíssimo. Verdade: aqui é Paulo ouvindo a jovem falar e a jovem (e o espírito) ouvindo Paulo pregar – itens 1 e 2.

Em seguida, a jovem começa a segui-los, clamando as mesmas palavras. Paulo sabia quem era, tinha uma imagem nítida de si mesmo – item 3. O espírito também sabia quem era, e que não tinha salvação – item 4.

Quando Paulo percebeu que a jovem não cessava de clamar, desconfiou que algo estava errado pois aquele clamor começou a perturbá-lo, quando na verdade deveria ser um motivo de regozijo: a jovem deveria procurá-los para ser salva. Paulo passou a fazer uma imagem diferente da jovem – item 5. O espírito sabia quem era, tinha uma segunda intenção e  imaginou que Paulo desconfiaria, por isso continuou com seu clamor – item 6. A segunda intenção do espírito adivinhador era causar confusão e manchar a imagem de Paulo e Silas perante as pessoas de Filipos.

Foi o que Paulo imaginou sobre a jovem que fez soar o alarme: – Não é uma pessoa normal, é um espírito maligno! A jovem apenas os seguia, mas não se aproximava deles. A jovem devia ter uma imagem de si mesma e, por entender que precisava da salvação que eles anunciavam, deveria se aproximar ou afastar-se deles. Quem, em sã consciência, clamaria daquela forma, por vários dias, sem se aproximar para receber a própria salvação? Havia uma contradição entre o que a jovem falava e o que ela fazia. A imagem que Paulo tinha da jovem teve de ser mudada e foi o que perturbou Paulo.

Quando Paulo liberta a jovem, o espírito adivinhador atingiu seu objetivo. Geralmente, os espíritos malignos costumam dar trabalho antes de sair, mas este saiu na mesma hora (vs.18)

Diante disso, é importante que comecemos a pensar sobre o que tem sido dito a nós nestes tempos difíceis de engano e maldade, seja na escola, nos meios de comunicação, na internet, entre amigos e até mesmo na igreja, porque Satanás tem se escondido com muito mais eficácia devido às falsas pregações recheadas de ideologia. Ele costuma bater e esconder a mão.

Escrevo estas poucas linhas sobre esse assunto porque vejo a necessidade de o povo cristão começar a observar o que lhe é ensinado a todo instante, e que, na verdade, pode conter intenções malignas embutidas. As ideologias e os discursos políticos que elas promovem são conhecidos como veículos carregadores de mentiras e utopias e estão presentes na igreja cristã chamada ‘progressista’. Observe sempre em qual nível está a malignidade usando este método[1] simples que adaptei e saiba encontrar a verdade ocultada pelos belos discursos.

Quando ouvir pregações sobre qualquer assunto ou um discurso político, coloque-se no lugar do ouvinte, e o pregador (político, amigo, texto de internet, noticiário de TV, etc) no lugar do falante. Tente encontrar as seis pessoas conversando. Você verá que muitas ‘verdades’ não passam de enganações sutis para desviar sua atenção da verdade mesma. A mentira nada mais é do que uma máscara que se coloca sobre a verdade para impedir alguém de reconhecê-la, pois a verdade não muda mas a máscara pode ser mudada a qualquer momento.

Observe também o contexto – o pano de fundo – no qual acontece a mensagem, o ensino, a conversa, seja na TV, na internet, entre amigos e na igreja. Observe também se há contradição entre a mensagem e as ações de quem a profere. Isto vai desenvolver em você um melhor discernimento espiritual para o que acontece ao seu redor. Faça isso sob oração, inclusive com este texto, pedindo ao Senhor sabedoria e espírito de revelação, porque a igreja está sofrendo perseguição satânica intensa, a qual foi profetizada pelo Senhor há alguns anos e está se cumprindo. Não seja mais uma pessoa que aceita o engano como verdade. Que o Senhor nos abençoe!

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?

Diz um ditado que o amor é como o sol, uma nuvem pode encobri-lo mas nunca apagá-lo. O apóstolo Paulo diz algo semelhante: O amor jamais acaba[1]. João, o apóstolo, também diz que o amor lança fora o medo[2].  Mas, o que é o medo?

O medo é a percepção da ameaça de dano. Se alguma coisa pode danificar a existência ou causar sofrimento, e o homem a percebe, tem medo dela como, por exemplo, medo de uma enfermidade. É possível tratar o medo do homem mas, para isso, é importante saber onde se localiza o medo no homem: no corpo? No cérebro? No coração? Na mente? Vou tentar explicar de maneira simples.

O ser humano é composto de duas partes: uma material e outra imaterial. A material é o corpo físico e a imaterial é o corpo espiritual. O corpo espiritual tem uma mente com duas faces: uma voltada para o material, o mundo físico que o cerca. A outra está voltada para as coisas espirituais, seu relacionamento com Deus e com outros seres humanos, como falarei brevemente mais adiante. Ambas são perfeitamente unidas, como as duas faces de uma mesma moeda. Diz o livro de Hebreus que a palavra de Deus é mais eficaz que qualquer espada de dois gumes e é apta para discernir (separar) alma e espírito, pensamentos e propósitos do coração[3]. A porção da mente voltada para as coisas materiais é o consciente, e a porção voltada para as coisas imateriais é o inconsciente. O inconsciente, ao contrário do que o nome pode sugerir, é ativo e produz efeitos na matéria física, ele é in-consciente porque se volta profundamente para dentro do homem enquanto o consciente volta-se para fora do homem[4]. O pensamento vem do consciente enquanto que o propósito do coração vem do inconsciente[5]. O coração, na Bíblia, várias vezes refere-se ao espírito do homem, o cerne, como o core de um processador. O consciente pensa de forma linear, lógica; o inconsciente delibera pela emoção. Agora podemos entender que o medo, sendo algo imaterial, está localizado na parte imaterial do homem, mas na parte que está voltada para as coisas espirituais: o inconsciente. O medo, como é uma emoção, pode gerar efeitos físicos no corpo pela ação do inconsciente.

O inconsciente busca o agrado enquanto que o consciente busca o bem real do homem[6]. Num exemplo simples da ação do consciente que busca o bem real, se algo ameaça o corpo físico, o consciente interpreta a ameaça que chega através dos sentidos físicos e envia uma mensagem para o inconsciente, que ordena uma reação: afastamento do perigo, produção de adrenalina, envio de mensagens químicas para o corpo a fim de que os músculos possam reagir rapidamente movendo uma perna, p.ex. A mente age no corpo através do cérebro. Mas há outros tipos de ameaça. Quando o homem sente que pode sofrer desamor, a reação é ainda mais complexa e profunda sobre o psiquismo, pois é uma ameaça séria sobre sua existência inteira, que foi criada pelo Amor.

O agrado do inconsciente manifesta-se, p.ex., quando uma pessoa, sentindo-se desprezada, adoece, para que as atenções se voltem para ela. Muitas crianças agem assim quando percebem que seus pais não se dão bem, o quê, para elas, é sinônimo de desamor para com elas e não entre eles, pois elas sabem que são fruto do transbordamento da união espiritual no físico: se são unidos[7] como um só em espírito, por quê se separam fisicamente? É como se fossem rasgadas ao meio. Muitos adultos ainda trazem gravado na mente inconsciente o que registraram na infância. Agora condicionados, agem como crianças em situações que despertem a mesma emoção, chegando a produzir sérias doenças físicas em si mesmos: mongolismo, autismo, paralisias, tumores, esquizofrenia. A isso dá-se o nome de somatização (soma, em grego, significa corpo físico; assim, somatizar significa trazer algo da mente ao corpo físico, ou materializar uma emoção interior).

O inconsciente prefere o agrado enquanto o consciente prefere a solução da dor física. Quando ocorre um conflito entre o inconsciente e o consciente – o inconsciente querendo agrado e o consciente querendo o bem real –, o homem pode somatizar suas emoções e gerar doenças. Se ambos estiverem bem controlados pelo corpo espiritual, o Homem Interior, o corpo físico reage, as feridas cicatrizam-se, a doença desaparece. Isso acontece quase sempre e não é percebido. Porém, quando o inconsciente prevalece sobre o consciente, devido à memória emocional que dura no tempo, coisas piores podem ocorrer. Quer um exemplo bíblico? Leia Jo.5, o caso do paralítico do tanque de Betesda.

Conforme a Escritura, um anjo movia a água em certo tempo e ficava curado quem nela entrasse depois que parasse o movimento. Lá estava uma multidão de paralíticos e doentes de todo tipo. Jesus passava pelo lugar e viu o paralítico que há 38 anos vivia acamado. Jesus perguntou: Queres ficar curado? O homem não respondeu diretamente. Ele contou a história a Jesus, mas enfatizou que não havia ninguém ali que o ajudasse a subir no tanque e a jogá-lo na água na hora certa. Agora, pense um pouco: será que, em 38 anos, nunca houve uma só alma bondosa que o ajudasse a subir no tanque e a mergulhar na água? Essa resposta soa inverossímil, não? Os outros já estavam lá em cima, esperando a oportunidade.

Bem, Jesus não ficou com pena dele, mas olhou para ele e disse: Levanta, toma o teu leito e anda. Diz João que logo aquele homem ficou são, pegou seu leito e andou. Isso no mesmo dia. Quando o Senhor ordenou que levantasse, o paralítico deve ter se assustado com a ordem porque dava uma desculpa para não ficar curado. Mais tarde, o Senhor o encontra no templo e diz a ele: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior. Qual seria o pecado daquele homem? E por que pecar novamente o levaria a algo ainda pior?

Aquele homem sofria de medo da desaprovação, sentia desamor. A reação que tinha ao medo era de autopiedade. Querendo amor, recebia apenas dó, e nem sempre verdadeiro. Seu inconsciente buscava o agrado, que atraía a piedade das pessoas, e pagava o preço por ele com sua enfermidade. Pode ser que fosse mesmo desprezado, pode ser que fosse uma mágoa profunda contra outra pessoa, mas ele sentia desamor. Seu consciente pensava em ficar são mas rendia-se à mensagem mais forte do inconsciente condicionado: “É melhor ficar paralítico do que ser desprezado, pelo menos recebo atenção”. Em suma: ele queria permanecer doente porque isso agradava seu inconsciente. Esse é um tipo de ganho secundário que ele apreciava mais do que o amor verdadeiro porque sentia medo de perder até essa esmola: isso denota falta de confiança no amor de Deus. Jesus mostrou autoridade e amor verdadeiro, e ele sentiu isso, e confiou.

Quando Jesus ordenou que se levantasse, o paralítico viu que não tinha justificativa alguma para dar, pois percebeu que estava diante da Verdade em amor. Como seria possível mentir à Verdade? Então percebeu que só havia uma reação possível: deixar o medo de lado, levantar e andar conforme a ordem dada pela Verdade; depois da ordem não havia mais desculpa para não reagir. Mais tarde, no templo, percebeu que era amado pelo Senhor, que o procurou para conversar. Jesus disse-lhe que, se voltasse a ter pena de si mesmo, poderia ser vítima de algo pior que ele mesmo causaria a si. A autopiedade é pecado. Já imaginou se Jesus tivesse tido autopiedade antes de ir à cruz? Imagine ele dizendo algo assim:

“Ah, isso vai manchar minha reputação, além de doer muito. Não vou mais fazer isso. Ficarei somente com a adoração desse povo, e vou deixar que vão pro inferno depois. Afinal, a culpa não foi minha mesmo”.

Terrível, não? Mas Ele NÃO fez isso. Por amor a nós enfrentou a morte, e morte de cruz!

Por que algumas pessoas preferem a dor de uma doença, p.ex., mesmo sabendo que Jesus veio por amor e carregou nossos pecados e enfermidades[8]?

Muitas pessoas, inconscientemente, pensam que se forem libertas de seus males não terão mais do que reclamar, ficarão sem assunto e sem atenção nas próximas conversas. Algumas sentem até medo de aceitar a salvação de Cristo pelo mesmo motivo. “Se Cristo me libertar da culpa que sinto hoje”, pensam, “ninguém mais vai dar atenção à minha dor e eu serei desprezado”. Tais pessoas querem um ganho secundário no inconsciente.

No fundo, sabem que Cristo é capaz de libertá-las mesmo, por isso fogem dele. Agem como o profeta Jonas que, em vez de alertar os ninivitas, fugiu para o outro lado, Társis. Ele sabia que se o povo se convertesse pela sua mensagem, Deus não destruiria a cidade, por isso preferiu o agrado inconsciente:

Por isso é que me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. (Jn.4:2)

Jonas tinha medo do desprezo. Veja o que ele pede em seguida:

 “Peço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver”.

Era ou não um homem com autopiedade? Quantas vezes nós nos sentimos dessa forma, querendo morrer por causa do sentimento de desamor? Um relacionamento desfeito, um lar dividido, um filho que sente a inimizade dos pais, uma amizade falsa, uma traição, enfim. Esse é o maior clamor do autopiedoso: Quero morrer, não quero viver! Quero ficar doente até morrer para chamar a atenção para mim porque ninguém me ama! Ou mesmo porque assim meus pais ficam unidos. Alguns criam enfermidades em si próprios e acabam morrendo mesmo. Mas temos o livre arbítrio para rejeitar essa emoção terrível.

Para que o homem entenda o desamor ele precisa ter um referencial de amor dentro de si, senão não saberia o que é o amor. Esse referencial lhe é mostrado por Deus no dia da sua concepção[9] no qual, também, lhe são dados o conhecimento inconsciente das leis eternas e o código moral de Deus. O conhecimento consciente aparece depois do nascimento e está formado no começo da idade adulta. Quando o homem desobedece o código moral, que está dentro dele, sente culpa profunda, ainda que seja uma criança de colo, pois o espírito humano já nasce adulto e sabe que veio de Deus e que é fruto de amor. Mas o pecado entorpece o entendimento e o homem se desvia do caminho interior, depois, sente culpa pelo que faz contra Deus.

Existem terapias que curam as pessoas do medo e dos traumas psicológicos, mas nenhuma terapia pode curar a culpa de alguém. A culpa só pode ser resolvida com Jesus Cristo, o Filho de Deus, que nos salvou do peso do pecado. Mas, se a pessoa pensa que é mais amada pelos homens enquanto carrega culpa e mostra sofrimento, pode freqüentar uma boa igreja, confessar a fé em Cristo, conhecer a Bíblia inteira e ainda assim não ser nascida de novo, porque não quer o perdão: passa a viver com uma fé consciente, faz força para crer. Prefere o ganho secundário da piedade alheia ao invés da salvação do Amor. Fica em seu mundo interior, cultivando mágoa[10] contra si ou contra outra pessoa, ou até mesmo acusando-se pelo pecado cometido, mas não troca essa situação pelo perdão porque sente (emoção) que perderá a atenção dos outros sobre si mesma. Condicionou-se a isso.

Por causa do nosso livre arbítrio, Jesus não força uma pessoa a abrir mão de coisa alguma para aceitar o perdão. Ele disse: SE alguém quiser vir após mim. Veja a continuação:

  1. Negue-se a si mesmo – significa ignorar os apelos do inconsciente para receber o ganho secundário do agrado piedoso, porque o amor de Deus é maior que isso.
  2. Tome a sua cruz – significa esforçar-se para manter seu inconsciente no lugar dele, mesmo que isso lhe custe algum sofrimento momentâneo de disciplina[11];
  3. E siga-me – significa confiar no amor de Deus que lança fora o medo e estar disposta a enfrentar qualquer sofrimento para seguir a Cristo, o que  torna-se caminhada natural e mais do que agradável, mesmo sob perseguição.

A fé tem plena convicção do que não vê[12]. Viver no espírito é diferente de viver pelo agrado ao inconsciente. Viver no espírito significa saber que se está neste mundo mau mas com controle espiritual sobre a mente espiritual que controla o corpo[13]. Mas, para que isso possa acontecer de maneira eficaz, o homem precisa renovar-se pela transformação da sua mente inconsciente, conforme diz Paulo[14], para que possa experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus pela cura de suas feridas interiores. A renovação da mente é como a cicatrização de velhas feridas que estão lá, com aquela cobertura rugosa, feia, ainda com as marcas do ferimento. Para cada ferida de amargura que fizeram contra nós no passado, podemos limpá-la com o perdão e cicatrizá-la com o amor[15]. Isso é viver no espírito!

O espírito humano controla ambos: o consciente e o inconsciente, que compõem a parte psicológica do homem. O cérebro não funciona sem o espírito que lhe dá vida através da mente espiritual, portanto, emoções e sentimentos não estão no cérebro, embora quando visto em aparelhos especiais mostre áreas ativas sob emoção ou pensamento ou recordação ou movimento.

Veja a seqüência das ações humanas quando o espírito controla bem a mente: partem do inconsciente em busca de agrado e ordenam ao consciente que execute, mas o consciente também analisa e observa se há bem real ou não. O meio de comunicação entre o consciente e o inconsciente é a emoção. Se há bem real na ação, o consciente dá ordem ao cérebro que executa movimentos, fala, ouve, cria anticorpos, dispara divisão de células, ataca invasores do corpo, determina produção de hormônios, enfim, age sobre a matéria para manter o bem real da vida no corpo físico. Mas, se não há bem real e por causa de forte emoção o inconsciente prevalecer, o homem toma atitudes por vezes desconcertantes que podem prejudicá-lo por longo tempo, podendo até levá-lo à morte. Foi sobre isso que Jesus alertou ao paralítico: Não peques mais para que não te suceda coisa pior. Em outras palavras: Não fiques mais com pena de ti mesmo para que não te suceda coisa pior – Não te acomodes na miséria do pecado.

Quando o inconsciente perde o medo do desamor e entende que é infinitamente mais amado por Deus com amor profundo, o homem aceita a salvação, porque foi dada com amor puríssimo, perfeito, infinito[16]. Sentindo que é amado por Deus, o homem vê suas feridas interiores e as resolve, e sua cura chega. Sabendo e entendendo que já foi perdoado há mais de 2000 anos, recebe o perdão de Cristo e torna-se nova criatura pelo Espírito de Deus e, daí em diante, transforma-se pela renovação da mente inconsciente invertendo em bom o que percebera como mau[17]: a emoção daquela ferida da alma não lhe atormenta mais, agora só existe lembrança inócua.  Perdoa a si mesmo e a outros, até a antepassados que já morreram, pois lembra-se do que fizeram de mal e os perdoa na presença de Deus[18], quebrando todos os laços com o passado: um peso que não carregará jamais[19]! Aprende a amar-se também, pois, sem o guarda-chuva da autopiedade, a luz de Deus o atinge e transborda para além de si, voltando a Deus acrescido do amor individual e atingindo a outros para que O conheçam[20]. Uma vez que ame a si mesmo, será capaz de amar ao próximo e de fazer discípulos pelo amor. A fé atua pelo amor, nunca se esqueça disso! Porque fé é confiança, e quem confia no amor de Deus não consegue duvidar Dele. Alimente-se com esses versículos:

“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.”  (Gl.5:6)

“Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,”  (Ef.3:17)

“Paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo.”  (Ef.6:23)

“Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,”  (I Ts.1:3)

Assim como o corpo sem espírito está morto, a fé sem obras é morta, e as obras da fé são obras do amor de quem nasceu de novo pelo Amor. Sem nascer de novo, a obra não será boa. Estou convencido de que o homem que confia plenamente no amor de Deus perde o medo de qualquer coisa. Tem fé inabalável e tudo quanto pedir receberá do Senhor porque anda na luz (luz e amor são intercambiáveis na Bíblia). O amor é a essência de Deus, já disse o poeta e compositor João Alexandre. Penso, também, que 99% dos males físicos do homem se originam no inconsciente por causa do pecado, que confunde suas decisões e o faz guardar profundamente a mágoa do desamor condicionando-o a não amar. Isso não isenta o diabo das suas maldades, mas entendo que é o homem que dará contas de si mesmo a Deus, pois, tendo livre arbítrio, é responsável pelos seus próprios atos[21]. Não me consta que Deus pedirá contas ao diabo pelos males do homem nem pelos pecados que este comete; ele já foi condenado por outros motivos.

O inconsciente humano também é capaz de agir sozinho sobre a matéria (Eliseu e o machado, 2Rs.4:1-7 e 6:6).  Se assim não fosse, como estaria agindo no corpo físico composto de matéria, ordenando a produção de hormônios, a divisão das células, escolhendo os cromossomos certos, criando anticorpos, enfim? O inconsciente é  capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo (Eliseu e o rei – 2Rs.5:26 e 6:12). O inconsciente também é capaz de saber o que o outro sente (a mãe que sabe quando um filho distante está passando mal é um exemplo) mas falarei sobre isso em outro post.

Não se assuste pensando que isso faz parte do movimento da Nova Era. Não faz. Os místicos descobriram o que Deus colocou no homem e o usam. Mas, devido ao pecado original e pela influência satânica sobre suas mentes, por decisão própria desviam-se mais e mais de Jesus em vez de O buscarem para serem salvos. Eles também buscam o amor de Deus, mas acabam rejeitando-o pelo medo que têm de verem suas decisões erradas às claras diante da luz. Além do mais, a cura da culpa pelo pecado não tem outro meio senão por Jesus Cristo, o Filho de Deus que veio em carne para nos salvar. Lembre-se: A cura da culpa é só com o Doutor Jesus, o Médico dos médicos.

E para que você saiba definitivamente o que significa a Boa Nova do Evangelho: Depois da obra consumada de Cristo, os homens nascem com todos os seus pecados perdoados, a cédula de dívida que havia contra nós foi paga pelo Senhor, mas só entrarão em Seu reino aqueles que forem regenerados (gerados novamente, nascidos de novo) pelo Espírito Santo[22].

Tudo quanto podemos saber sobre essas coisas está revelado na infalível e perfeita Palavra de Deus, a Bíblia. Basta que a estudemos com afinco e em oração. Deus quer falar conosco e nos ensinar muito mais para que sejamos verdadeiros discípulos de Jesus, fazendo outros discípulos pelo nosso proceder em amor e pelas palavras da fé que pregamos. Porém, se alguém cultiva medo em seu coração não é perfeito no amor.

Parafraseando o ditado, o amor é como o sol e nós podemos ser nossas próprias nuvens a encobri-lo.

“No amor não há medo, antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.”  (I João 4 : 18)


[1] I Co.13

[2] I Jo.4:18

[3] Hb;4:12

[4] Freud comparou essas porções a um iceberg: o consciente fica para fora e o inconsciente fica debaixo d’água.

[5] Idem #3

[6] As chaves do inconsciente – Renate Jost de Moraes – Ed. Agir – 3ª edição.

[7] Gn.2:24

[8] Is.53:4

[9] Jr.31:3

[10] Hb.12:15

[11] Hb.12:11

[12] Hb.11:1

[13] ICo.14:32

[14] Rm.12:2

[15] Mc.11:25

[16] Jr.31:3 – Com amor eterno te amei, por isso, com benignidade amorosa te atraí.

[17] Fp.4:8

[18] Dn.9:11

[19] Ex.20:5

[20] Mt.5:15

[21] Rm.14:12

[22] Tt.3:5 e Jo.3:1-12

Salmo 12

1 SALVA-NOS, SENHOR, porque faltam os homens bons; porque são poucos os fiéis entre os filhos dos homens.

2 Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobrado.

3 O SENHOR cortará todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente.

4 Pois dizem: Com a nossa língua prevaleceremos; são nossos os lábios; quem é SENHOR sobre nós?

5 Pela opressão dos pobres, pelo gemido dos necessitados me levantarei agora, diz o SENHOR; porei a salvo aquele contra quem eles conspiram.

6 As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.

7 Tu os guardarás, SENHOR; desta geração os livrarás para sempre.

8 Os ímpios andam por toda parte, quando os mais vis dos filhos dos homens são exaltados.

Durma tranquila…

A maioria dos cristãos já leu a palavra do apóstolo Pedro:

“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?”  (IPe.4:17)

Por algum tempo pensei que os primeiros apóstolos fundadores da Igreja pensavam que Jesus voltaria ainda no tempo deles. Hoje, penso diferente. Penso que eles consideravam o tempo como um todo único, que ia desde ascensão do Senhor até sua segunda vinda, por isso incluíam-se neste tempo. Pedro parece estar dizendo a mesma coisa, pois incluía os julgamentos divinos sobre a Igreja como se fossem os dias finais, e eles estavam apenas começando.

Os dias finais, de fato, compreendem desde a ascensão do Senhor até sua segunda vinda, mas com etapas temporais que acontecem segundo a ordem de Deus. Nós é que precisamos compreender a eternidade para que entendamos como essas coisas acontecem no tempo. Na eternidade possuímos todos os momentos plena e simultaneamente, e assim devemos entender como são as profecias. Por isso disse o Pregador:

“O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e fará renovar-se o que se passou.”  (Ec.3:15)

A história do profeta Jonas nos dá um modelo a respeito: por que virão os juízos de Deus sobre a Sua casa. Deus o chamou para avisar os ninivitas que destruiria a cidade de Nínive se não se arrependessem dos seus maus caminhos. Jonas não foi para a cidade de Nínive. Mudou de caminho indo para Társis. Há aqui duas lições importantes: Jonas confiava tanto no Senhor que pensou: “Se eu pregar e eles se arrependerem, minha palavra sobre destruição não acontecerá e eu passarei vergonha” – Jn.4:2. Ele tinha tanta confiança no amor de Deus que pensou somente em si – teve autopiedade (vs.3). Mas há uma lição para a igreja que não pode passar despercebida.

Quando Jonas tomou o navio para Társis, o Senhor enviou um vento fortíssimo sobre o mar e os marinheiros ficaram com medo. O que fez Jonas? Ajudou os marinheiros na hora difícil? Não, foi para o fundo do navio e dormiu…

Os marinheiros acabaram descobrindo Jonas, que confiava no Senhor mas fugia das suas obrigações. A obrigação de Jonas era pregar o arrependimento dos pecados para que o Senhor não destruísse Nínive. Isto está ocorrendo na Igreja hoje mesmo. A Igreja sabe que deve se opor à ideologia satânica do marxismo junto com o politicamente correto mas, ao contrário, recebe doutrinas satânicas em seu meio como se fosse algo bom que veio do Senhor. Já ouvi cristãos dizendo que Jesus foi o maior comunista que o mundo conheceu!

Agora, vejamos a verdade. Jesus falava em cuidar dos pobres e oprimidos, órfãos e viúvas, mas jamais disse que o Estado deveria fazer isso. A obrigação é individual, não coletiva nem por meio do estado. O Seu reino não é deste mundo, portanto, o estado não tem nada a ver com a ordem dada por Jesus – a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Além disso, o marxismo apenas diz que seus ideais prezam pelos pobres e oprimidos mas, na prática, são estes os que mais sofrem e morrem nas mãos dos comunistas ao longo da história (socialistas e progressistas são a mesma moeda com outros nomes).

Contudo, a história de Jonas não parou ali. Jonas foi jogado ao mar pelos marinheiros, foi pego por um peixe e jogado na praia perto de Nínive após 3 dias em completa escuridão. Posso fazer uma analogia: os marinheiros representam os inimigos da Igreja cristã, e Jonas representa a própria Igreja que está apostatando por misturar doutrinas humanas à Palavra de Deus. Jonas não apostatou, mas fugiu de suas obrigações da mesma forma que a igreja está fugindo das dela. A Igreja tem que manter limpo o seu arraial e pregar arrependimento para evitar que Satanás a destrua desde dentro, e não tem feito isso. Portanto, posso dizer que os mesmos juízos que vieram sobre Jonas virão sobre a igreja. Será lançada ao mar revolto e engolida pelo grande peixe, o qual representa o sistema satânico já em plena atuação no mundo. Se você ainda não sabe, a besta que emerge do mar já está operando, e há poucos dias a besta que emerge da terra já mostrou seus dentes (Ap.13). Trato disso noutra postagem.

Assim, é possível entender que a igreja é julgada primeiro para que o arraial mantenha-se limpo e continue pregando as Boas Novas da salvação em Cristo. Depois dos juízos que já despontam no horizonte veremos quem é joio e quem é trigo. Serão agitadas todas as doutrinas e as contrárias à Palavra de Deus, que muitos cristãos seguem, serão claramente vistas por aqueles que andam em fidelidade ao Cordeiro – é o início da Filadélfia de Ap.3. Como falou o anjo ao profeta Daniel:

E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão. Dn.12:9,10

A história de Jonas serve apenas para ilustrar o que vem vindo e já é visto no horizonte. Se você quer saber mais, leia Jeremias 23. Qualquer profecia que o Senhor nos tenha dado nestes dias está completamente baseada nesse capítulo. O Senhor ainda fala com seus profetas mas jamais mudará uma só vírgula do que já disse.