QUANTAS CATÁSTROFES MAIS?

Quero considerar algo com meus leitores. Por estes dias, pensando na situação do mundo, nas catástrofes atuais, tanto geológicas quanto espirituais, observei que o mundo não vai longe se continuar se afastando de Deus e de sua graça que está em Jesus Cristo.
O coração pesou-me um tanto e observei que só há pouco tempo compreendi com mais exatidão o que acontece e o que vem transformando o mundo, mudando valores e trazendo dor e angústia aos corações das pessoas. Por que eu não entendia isso antes? Por que eu demorei tanto a aprender? Só há uma resposta sincera: Por que eu deixei de ouvir atentamente o que Deus diz em sua Palavra e deixei de observar onde estava o pecado. Não busquei a verdade com afinco.
Falar em pecado, hoje, é como matar uma conversa antes de começá-la. E foi por isso que muitos de nós deixamos de entender o que está acontecendo no mundo, por que vemos as pessoas correndo sem direção e levando uma vida sem sentido. Deixamos de ver que estávamos pecando porque nos esquecemos do pecado. Hoje ele não passa de um simples erro, ou nem existe mais.

– Mas, você não aceitou a salvação e nasceu de novo? – perguntarão alguns.
– Sim. Mas eu ainda posso pecar, ainda sou capaz de deixar de ouvir a Deus e de acertar o alvo.
– Mas, quando foi que você deixou de ouvir a Deus?
– Quando não prestei atenção aos seus profetas e aceitei a idéia de que toda aquela história de tomada do mundo, de mudança de pensamento, de maldade generalizada, de engenharia social era apenas teoria da conspiração de cristãos fundamentalistas ignorantes, retrógrados. Eu pensava que os homens poderiam dar um jeito na sociedade, mudando-a para melhor, tornando tudo mais simples, e não vi que deixava Deus de lado. Eu estava errado. Eu pensava que a realidade poderia ser transformada pelas mãos humanas, mudada para melhor a fim de que pudéssemos viver um vislumbre do paraíso na terra, um possível mundo melhor. Pensei que pudéssemos diminuir a pobreza, a miséria, a fome através de um sistema político que tirasse dos que têm muito e distribuísse aos que nada têm. Confesso que me enganei. Jesus disse aos seus discípulos: Os pobres, sempre os tereis convosco, e podeis fazer-lhes bem – Mc.14:7. Esta é a realidade que durará até que Ele volte.


Mas eu pensei que poderia ajudar a mudá-la, como se fosse o próprio Deus. Por isso eu pequei. Jesus não chamou os homens para mudar o mundo porque o Reino dele não é deste mundo, portanto, nada há que possa ser feito aqui para que se torne compatível com Seu Reino. O máximo que posso fazer são discípulos, pois esta foi a ordem.
Jesus não disse: “Ide por todo o mundo e transformai a realidade”. Nâo! Ele disse: “Ide por todo o mundo e fazei discípulos”.
Jamais poderemos mudar o mundo porque ele jaz no maligno. Está morto e não temos poder para dar-lhe Vida. Se tivéssemos esse poder, Cristo não precisaria vir nem morrer por nós. Poderíamos mudar a nossa realidade a qualquer instante que quiséssemos e, no dia seguinte, a morte deixaria de existir.

– Mas, então, deixamos os pobres à míngua? Deixamos que os poderosos dominem sobre eles? – argumentariam muitos.
– Eu lhes digo que já estamos fazendo isso quando deixamos Deus de lado e permitimos que os homens dominassem com suas idéias de coletividade que aniquilam com o voluntarismo. Não existe salvação coletiva, pois cada um dará contas de si mesmo a Deus. Nós sempre temos os pobres conosco, e podemos fazer-lhes bem a qualquer momento. Não precisamos que um grupo de homens tire o que conseguimos com nosso trabalho honesto e, sob a mentira de ajudar os necessitados, faça sua política suja, ajude a tirania e incentive tudo o que Deus abomina. Nós já os deixamos à míngua quando permitimos que a situação chegasse a esse ponto.
– O estado ajuda os pobres, dá educação, promove a saúde. Isso não é bom?
– Se o estado tem que tirar algo de alguém, usando a força como faz, então isso não é bom, pois alguém está sendo forçado a fazer o que não quer; alguém está sendo obrigado a dar até o que não tem para que ninguém seja beneficiado. Que educação o estado pode dar que seja melhor do que a dos pais, que não podem sequer dizer o que seus filhos devem aprender nas escolas? Que saúde o estado pode dar quando os mais necessitados não recebem o que lhes foi prometido, porque uma lei qualquer ainda não disse que este ou aquele remédio é bom? Que saúde é essa que faz o pobre morrer esperando numa fila de atendimento, que o estado diz não existir porque é provedor de tudo? Isso, porventura, é ajudar os pobres? O samaritano da parábola fez muitas vezes mais do que qualquer estado tem feito pelos que mais precisam.
– Mas não está escrito que a justiça dura para sempre para aquele que distribuiu aos pobres? (2Co.9:9).
– Está escrito e é verdade. Mas não está escrito só isso. Também está escrito que é Deus quem nos faz andar em toda a graça para que possamos ajudar aos necessitados. Essa não é uma tarefa do estado, é uma tarefa individual, voluntária. Porventura o estado pode ser abençoado com justiça que dura para sempre?

Não, não há desculpa. Nós pecamos e precisamos buscar o perdão de Deus. Precisamos clamar a Deus com jejuns e súplicas. Precisamos pedir perdão por nossos pecados e pelos pecados da nossa nação a ver se Deus nos perdoará e nos livrará do mal que cometemos com nossa passividade, nossa surdez para com seus profetas e atalaias, nossa aceitação do erro como se fosse verdade, nossa inversão de valores que coloca o homem como Deus, assim como a serpente mentiu desde o começo.
O que precisa ser mudado é o centro do poder. Demos poder aos homens e deixamos Deus de lado. Muitos até falam em Deus, mas seus corações estão longe Dele. Tentam amalgamar as idéias humanas com as palavras de Deus, para conseguirem alguma autoridade sobre essas mesmas idéias, pois nelas não há nenhuma verdade que as autorize.
Um estado só é bom quando não pode fazer o que é proibido aos seus cidadãos, porque o estado só existe por que existem indivíduos que o dirigem. Se estes indivíduos têm o poder para fazer o que bem entendem e se sobrepõem aos cidadãos, então, não temos um estado bom, mas uma tirania perversa que Deus abomina.
O profeta Daniel entendeu que Israel havia sido levado cativo por causa dos seus pecados e, estudando os livros, sentiu que devia orar. E disse:

2  No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.
3  E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.
4  E orei ao SENHOR meu Deus, e confessei, e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos;
5  Pecamos, e cometemos iniqüidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos;
6  E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra.
7  A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto, como hoje se vê …
14  Por isso o SENHOR vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo é o SENHOR nosso Deus em todas as suas obras que fez, pois não obedecemos à sua voz.- Dn.9

Alguns dizem que Deus não tem nada a ver com as catástrofes que começam a acontecer seguidamente, porque é Deus bom e amoroso. Sim, é verdade. Mas também é Deus justo e não muda suas promessas de justiça e de juízo. Ele não quer que suas criaturas sofram, mas quando muitos cometem iniquidades e as espalham sobre quem não as quer, oprimindo o homem e levando-o cativo pelo engano da mentira, Ele interfere e executa juízos sobre a terra. Afinal, a terra e tudo o que ela contém é dele. Ele é o Provedor que defende os fracos e liberta os oprimidos, não o estado. A justiça que Ele quer que façamos é aquela que leva a libertação espiritual aos cativos, porque, depois que O conhecem, conhecem também a Verdade que os liberta e os guia em segurança. Deus falou ao profeta Isaías cap.30:15:


Em vos converterdes e em sossegardes está a vossa salvação; na confiança e na tranquilidade a vossa força, mas não quisestes…


Ninguém consegue oprimir aquele que conhece a Deus e Nele confia.
Quantas catástrofes mais precisaremos ver para abrirmos os nossos olhos para a verdade? Não, Deus não é injusto quando pune. Nós somos os culpados pelas desgraças que começam a acontecer. Somos culpados por não termos ouvido os profetas do Senhor e alertado que o mundo seguia para a própria destruição. Calamo-nos porque aceitamos o engano como verdade, o errado como certo, a iniquidade como justiça, a impiedade como compaixão, a permissividade como libertação, a apropriação pela força como solução para a miséria, o erro individual como culpa coletiva, a coerção criada pelos homens como direito criado por Deus. E pior, aceitamos palavras e vontades de homens como se fossem as palavras e vontade de Deus.
Cai em nossa cara o que cuspimos para cima, porque há uma lei chamada Lei da Gravidade. Assim é quando os homens se afastam da Verdade de Deus. Se plantamos ventos, colheremos tempestades, porque a Lei da Multiplicação dos Frutos é imutável. Um grão de milho gera uma espiga com centenas deles.
Você pode dizer que não fez nada para que isso acontecesse, e até certo ponto está certo. Você não fez tremer o chão, não derrubou casas, não fez vulcões explodirem, não encheu nuvens de chuva que causaram sofrimentos, não fez a terra deslizar e não assoprou ventos. Mas é muito provável que você tenha acreditado que nada iria acontecer por que tudo o que estão fazendo em seu país e no mundo é o prenúncio de dias melhores, de um mundo melhor.
Agora reflita: Quando a perversidade, a mentira, a corrupção, a violência, as drogas, a libertinagem, a permissividade, o adultério, a eutanásia, o aborto e tudo o mais, contrário ao que Deus diz que é bom, criaram um mundo melhor? Olhe para a história da humanidade sobre a terra. Quando houve um momento no qual os homens viveram em paz e satisfeitos ao deixarem de obedecer aos ensinos dados por Deus?
Você já observou que todos os reinos humanos caíram enquanto o Israel de Deus continua de pé? Por que, então, você pensa que Deus não cumpriria toda a palavra que disse aos seus profetas?
É chegada a hora de pararmos de correr de um lado ao outro sem destino certo. É hora de dobrarmos nossos joelhos e buscarmos o perdão de Deus e a orientação dele para estes dias.


“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”  (II Crônicas 7 : 14)

Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.

Mas, lembre-se: Não haverá mudança, não haverá direção, não haverá nenhuma orientação de Deus se não houver quebrantamento. Enquanto você não estiver disposto a sentir a tristeza que Deus sente ao ver suas criaturas correndo para o inferno, você não estará pronto para ouvir o que Ele tem a dizer. Enquanto você não sentir a angústia dessas almas que se perdem, das pessoas que não percebem o mal ao seu redor e empurram a tristeza para algum momento ainda mais tenebroso de suas vidas, enquanto você não perceber que o seu amor pela verdade é superior à sua passividade diante do mal, você não estará pronto para ser usado por Deus. Ele não assinará nenhuma procuração para que você fale em nome Dele pois, se você rejeita a tristeza que Ele sente por suas criaturas que estão se perdendo, não está apto a sentir a alegria de vê-las salvas em Suas mãos. Você só estará apto quando aceitar ser batizado na angústia para, logo mais, ver a alegria das obras que Deus realizou por seu intermédio.

2 pensamentos sobre “QUANTAS CATÁSTROFES MAIS?

  1. Que o Senhor lhe abençoe a cada dia, concedendo-lhe a revelação da Sua Soberana vontade.
    É exatamente esta reflexão que o Senhor deseja que tenhamos. Não olhar o mundo como se por nosso poder ou inteligência pudéssemos consertá-lo ou melhorá-lo, Ele quer que olhemos para Ele… sigamos os Seus passos…. e enquanto fazemos a Sua vontade estaremos contribuindo para um mundo melhor. De que maneira? Quanto estamos no centro da vontade de Deus, somos abençoados e abençoamos também aqueles que estão ao nosso redor.
    Que o Senhor abençoe cada leitor.

    • Cara Pastora Quitéria, obrigado por sua visita e por seu comentário.
      Não tenho dúvida que o maior problema que a igreja enfrenta hoje é a apostasia provocada. O fenômeno não é brasileiro, mas mundial. O que acontece é biblicamente chamado de idolatria. O homem substituiu Deus, o Provedor e Mantenedor de tudo, pelo Estado, um ente abstrato incapaz de ouvir uma petição e respondê-la com verdade, pois só existe porque homens o dirigem. Idolatrar o estado é o mesmo que idolatrar o próprio homem que o criou. Com isso, o homem recai no erro que Paulo menciona em Rm.1 – deram glória mais à criatura do que ao Criador – por isso Deus os entregou às paixões infames…
      A inversão de valores que hoje vemos é resultado disso: os homens se entregaram a si mesmos e desprezaram o conhecimento de Deus.
      Sim, minha irmã, é hora de contrição, de angústia de alma, de coração quebrantado e arrependimento sincero. Como diz o Velho Testamento, é hora de jejum, pano de saco e cinza. Nós pecamos e precisamos buscar o perdão de Deus.
      Deus a abençoe.

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