A arte da arte de cantar para o Artista

Quando um compositor faz algo com propósito, pode até fazer algo artístico, mas terá a lógica da intenção além da lógica das frequências a lhe orientar. Quando um compositor faz algo pela sensação, pela intuição, pelo que tem dentro de si para expor ao mundo, pelo que vê do mundo e pelo que vê do que ninguém mais vê, a música conta uma história mesmo sem letra. A melodia passa da poética à retórica. Pode entrar pela dialética, mas retornará com lógica mantendo a poesia. É um desafio! É uma ciência. Tirem a voz do intérprete do ouvido e ouçam a melodia da música. Ela fala. Ela canta, conta uma história. Ela movimenta. E se movimenta sabemos que existe tempo.

Sem tempo não há movimento no mundo material. E é com este tempo que lidamos. O tempo de ir, o tempo de voltar. O tempo de abraçar, o tempo de afastar-se de abraçar. O tempo de pacificar, o tempo de guerrear. O tempo de falar e o tempo de emudecer. Muitas vezes temos todos estes tempos em uma só composição. É a tensão que nos leva à tônica do tema; é a tônica que pede uma tensão para existir e ser a mais importante.

A arte exige mudança para ser diferente e igual. Ao mesmo tempo. A mensagem é a mesma, mas o que muda não é só o ouvido de quem ouve, e sim a boca de quem fala, a mão de quem rege, os dedos de quem tange. Tudo isso faz parte da arte de executar o que é lógico mas, ao mesmo tempo, no tempo, contém poesia. Porém, não podemos confundir poesia com poética.

Poética é a manifestação do inverossímil. A poesia pode ser poética, mas pode também conter a verdade absoluta; pode ser lógica. A poesia pode ser a embalagem da poética. Mas há mais além da poética. Não se pode confundir a forma com o conteúdo.

Há uma lógica que podemos compreender. E é com a lógica que os seres humanos compreendem a realidade. Assim, a música pode alterar a realidade aparente conforme a vontade do compositor. Mas, somente o faz durante um tempo. Depois, passa. A realidade mesma, permance.

A igreja pode ensinar pela poética, mas, preferível é que seja pela lógica. A lógica é o lugar dos absolutos, como a soma de dois e dois, cujo resultado é o número quatro. Não podemos alterar o que é, embora possamos imaginá-lo outro.

Alguns afirmam que a igreja – e os crentes – são tacanhas, apreciam o feio, são menos. São e não são. São para os que veem a diferença em seus iguais. E não são para aqueles que, mesmo vendo a diferença em seus iguais, enxergam além. Enxergam Aquele que é Único, a verdadeira imagem de todos num só. Assim, apesar de serem muitos, todos estão em Um, que é Cristo. Ele é as primícias, a imagem da qual nos originamos como visíveis; a revelação suprema do Deus invisível. O que parece relativo é, na verdade, o mais absoluto dos reais.

Se a música contiver tudo isto, servirá de ponte, e nela andará o Espírito do Senhor, que fermentou todas estas coisas para que o homem pudesse ouvir o som da verdade e se embriagar com a justiça de Deus. Este é o vinho velho e clarificado. Absoluto imutável, irrecorrível, indiscutível, inamorficável, que toca nos corações de quem quer ouvir.

A igreja é o apêndice visível de tudo isto. Canta, chora, vive, executa, apascenta, mas jamais poderá capitular. Deixar de viver a verdade é o mesmo que pedir a Deus que deixe de fazer existir a nossa existência. Se Ele deixar de pensar em nós, deixamos de existir. Por isso, o fundamento da nossa fé é sólido, imutável, literalmente ele mesmo. Não existem várias interpretações para a verdade absoluta. Aquele que a disse, sempre é. Absoluto. Façamos nossa arte, então, para Ele.

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2 pensamentos sobre “A arte da arte de cantar para o Artista

  1. Oliveira Jr.,
    O seu texto é poético ou poesia? Provavelmente, os dois. Creio que, ao menos para mim, ficou clara a sua intenção de distinguir o que é objetivo do subjetivo, e de que, ao invés de sermos um bando de lunáticos sujeitos às excentricidades mais sensitivas (apesar de haver alguns ditos cristãos que vivem no mundo da lua), somos verdadeiramente aqueles que professam a cosmovisão objetiva: o Cristianismo, do qual, Cristo, é a única verdade, caminho e vida.
    Eles, os que se dizem racionais, primam exatamente por uma pseudoracionalidade que os levam à descrença (que é uma fé diferente, a fé de não crer, mas ainda assim continua uma fé) e a impossibilidade de haver um sentido claro, pontual, no universo. Eles atiram para todos os lados, a esmo, e não acertam em nada. Ao contrário, temos a certeza de que toda a criação é divina (o fato de termos certeza, por si só, já é o indicativo da nossa obtusidade crédula, ao ver deles. Pergunto: o fato de não terem certeza ou de relativizarem-na em muitas prováveis incertezas não os torna estúpidos?), e de que Deus encarregou-se de revesti-la de maravilhoso encanto, e assim, temos, a um só tempo, a objetividade para a razão decifrá-la e a poética com que a razão se extasia. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.8-9).
    Mas pode explicar-se melhor. Quanto mais luz à questão, melhor será o entendimento.
    Cristo o abençoe!
    Abraços.
    PS: 1- Depois de anos, voltei ao prazer de ler poesia, e de escrevê-la. Acho que sou mais poeta do que poético. Talvez devesse atentar para o poético também, como os salmistas e Salomão.
    2- Obrigado por seu elogio ao meu comentário no blog Profeta Urbano do Edson Camargo.
    Também não sei se posso anexá-lo ao meu blog (o seu é o wordpress, enquanto o meu blogger). De qualquer forma, preciso primeiro de sua autorização. Se a der, verei se há um jeito de inclui-lo em minha lista de link favoritos.

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    • Muito bom vê-lo (ver?) aqui, Jorge. A poética permite isso mesmo, ver o invisível. Não o vi, mas estou plenamente certo de que foi você quem escreveu. Isso é um exeplo de fé. A lógica nos dá a certeza do que podemos estar certos. A fé faz isso e vai além. Costumo dizer que a fé não subsiste sem entendimento. Senão, como se pode ter certeza do que não se entendeu? A única certeza é que não se entendeu. Como dizem os relativistas: tudo é relativo. Se tudo é relativo, então, o absoluto da afirmação também é falso, e a afirmação é uma mentira. Então, temos o absoluto. As verdades bíblicas são sempre positivas, mesmo quando afirmam o mal. O maligno sempre nega algo absoluto, mesmo que sutilmente. Os maiores exemplos estão na mentira do Éden e na tentação de Cristo.
      Para se entender da poética é preciso ler um pouco do grande Aristóteles. Como diz o filósofo Olavo de Carvalho, a poética tem a capacidade de afirmar o impossível – a vaca voa. Sim, numa poesia uma vaca pode voar. Então, pode-se partir à retórica, o convencimento necessário a ver se vacas voam. Convencidos, vamos à dialética: será que voa mesmo? Como voa? Por que voa? Ao final, pela lógica, entendemos que uma vaca não voa sozinha, não tem em si mesma a capacidade de voar, mas pode voar se for levada por algo que voe. Assim, por este motivo, não voamos em nossos pensamentos, tampouco em nossa fé. A eternidade é um fato. A diferença entre os cientistas e os cristãos é que a ciência estuda um recorte da realidade e a Bíblia nos informa sobre um recorte da eternidade, da qual a nossa realidade faz parte. Como querem que o menor explique o maior? Impossível!
      Gostei do que você disse: a fé de não crer. Gostei muito disso também: “assim, temos, a um só tempo, a objetividade para a razão decifrá-la e a poética com que a razão se extasia”.
      Pelo que você diz, podemos dizer que a poética faz cócegas na alma, não?
      A fé em Cristo é algo que trancende e ao mesmo tempo nos coloca diante de uma realidade inescapável.
      O maior problema é que os descrentes não querem aceitar a realidade como ela é. Querem transformá-la para que seja conforme suas vontades. Deus permitirá que isso ocorra na Grande Tribulação. Vai doer, mas poderão experimentar do próprio veneno.
      Sobre a cosmovisão cristã, sugiro um excelente livro: Verdade Absoluta – Nancy Pearsey – Ed. Assembléia de Deus. Ali você encontrará subsídios a mais para a cosmovisão cristã genuína, leve e profunda ao mesmo tempo.
      Continuamos tentando manter a sanidade e levá-la um pouco mais adiante, principalmente aos nossos irmãos na fé. Muitos não entenderam a ironia nas palavras de Paulo em 1Co.8:1.2. “…sabemos que todos temos ciência… e se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não sabe como convém saber”. Entrementes, ele diz: A ciência incha. Muitos param por aqui mesmo no saber, mas continuam no inchaço.
      Por isso quero incluir seu blog e o de outros irmãos com estes dons gratuitos dados pelo nosso Senhor em meu blog. Não sou muito lido, mas quero indicar o melhor para os que por aqui passarem.
      Um grande e fraterno abraço. Que o Senhor continue iluminando seu coração para que continue vendo tanta beleza no que é verdadeiro e tão belo quanto a própria Verdade: Jesus Cristo, nosso Senhor.

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Se você estiver comentando sobre sonhos, leia isto. Antes de escrever, leia a apostila com atenção. Na maioria das vezes a resposta já está lá. Ao relatar um sonho, lembre-se de anotar as emoções, as cores, quantidade de objetos ou pessoas, outros detalhes importantes que chamaram a atenção ou nem tanto, para facilitar a visão geral do quadro. E nunca se esqueça de que os sonhos dados pelo Senhor só podem ser interpretados por ele mesmo. Ore! Se Deus quer dizer alguma coisa, ele dirá, mas depende de você querer ouvi-Lo.

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