As galinhas e a bomba atômica

Digamos que eu deixe ao lado de uma galinha o livro que ensine em detalhes como construir uma bomba atômica. Devo preocupar-me com a possibilidade de a galinha construir o artefato e tornar-se ameaçadora? Evidente que não. Por quê?
Porque uma galinha não tem capacidade intelectual suficiente para discernir o que significa aquele objeto – o livro. Quanto mais compreender sinais de escrita, e mais ainda, conseguir interpretá-los e formar pensamentos. Essa é uma capacidade exclusiva da raça humana.
Posso descansar em paz que a galinha não destruirá o mundo dentro de alguns meses.
O que me faz pensar neste assunto é o fato de já ter sido questionado se o homem foi criado para ver somente o bem. Pelo relato bíblico, não. O homem tinha a capacidade de compreender o bem e o mal, podia discerni-los e até assimilá-los. No entanto, o conhecimento do bem e do mal estava abaixo do status do homem recém criado, e Deus os avisou para que não provassem do fruto a fim de que não caíssem do seu estado original.
Deus não escondeu a verdade dos primeiros seres humanos como a serpente quis fazer crer. Precisamos aprender a ler o que está escrito e pensar nisso.
Deus disse – Gn.2:
“16 E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, 17 Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.
E em Gn.3:
4 Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
Extrai-se que o homem podia entender o bem e o mal, mas não devia comer esse fruto de conhecimento. Uma vez ingerido, teria o desejo e seria capaz de criar o mal da mesma forma que estava apto a desejar e criar o bem.
Após ter repreendido suas criaturas e relatado a maldição que haviam contraído, disse Deus – Gn.3:
22 Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal…
Ora, o homem não fora feito conforme a imagem e semelhança de Deus? Sim. Então, por que agora diz o Senhor que o homem tornou-se como um de nós? Porque agora era capaz de criar o mal; sabia como fazer isso também. Guardadas as devidas proporções, ficou ‘como Deus’.
Em Isaías 45 está escrito:
7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

– Então a serpente não mentiu quando falou que, se comessem do fruto, ficariam iguais a Deus!
Evidente que mentiu. O homem não é igual a Deus e jamais será! Continua semelhante, mas com a capacidade e o desejo de fazer o mal também. E pior: ficou servo da serpente, pois todo vencido é escravo do vencedor – 2Pe.2:19.
Foi exatamente isso que Jesus destruiu na cruz: o poder do pecado e de satanás sobre o homem! Quem Nele crê e aceita Sua obra de salvação, está salvo e livre das amarras!

Vamos um pouco mais fundo: uma árvore dá frutos bons ou maus, nunca ambos no mesmo tronco e ao mesmo tempo. Assim, essa árvore paradisíaca tem a característica de ser uma árvore de confusão, pois o bem e o mal coexistem no mesmo tronco.
E o que isso significa para o homem? Significa que o homem, agora, contém os dois impulsos dentro de si. É capaz de fazer o bem e também de criar o mal. Por isso, constantemente, o Senhor diz que julgará os homens segundo suas obras.
Ouso dizer que este é o verdadeiro ‘pecado original’. A desobediência fez parte do ato de rebeldia, mas muitos homens de Deus foram desobedientes como Adão e Eva e Deus não os exterminou. Jacó lutou com Deus e prevaleceu, não foi? Oséias.12:

3 No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, e na sua força lutou com Deus.
4 Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco
,
Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Salomão, e tantos outros homens de fé também foram desobedientes em algum ponto de suas vidas. No entanto, foram considerados homens de valor por Deus, porque em seus corações queriam dar continuidade ao bem que Deus tinha criado. Entendiam isso, o que lhes mantinha a fé viva em Deus e em Sua palavra.
Abraão levou o filho ao sacrifício porque sabia que Deus tinha feito uma promessa de bem ao seu povo. Ainda que oferecesse Isaque em holocausto, Deus tinha todo o poder para ressuscitá-lo e cumprir a promessa feita.
No entanto, quando o homem cria o mal ou o pratica deliberadamente, Deus age com severidade e intenso juízo. Eis o motivo do dilúvio, da destruição de Sodoma e Gomorra, da destruição de Babilônia e da futura destruição do mundo como o conhecemos hoje no tempo devido.
Mas, o que mais se sobressai é que o homem tinha capacidade para compreender tanto o bem quanto o mal mesmo antes da queda. Contudo, não tinha prazer em criar e praticar deliberadamente o mal.
Agora, na condição de caído, sujeito aos caprichos da serpente, estava apto a obedecê-la e pronto a agir para o mal. Afinal, era o que ela queria.
E há também a questão da dualidade: o bem e o mal coexistindo na mesma árvore. Coexistir tem o significado de existir ao mesmo tempo em conjunto.
A coexistência do bem e do mal passou para o homem como uma doença transmissível.
Essa dualidade existe no homem até hoje. Por isso Paulo fala em Rm.12:2 – “Não se amoldem – não tomem a forma – deste mundo, mas transformem-se pela renovação do próprio entendimento para que possam compreender qual a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Fomos criados para darmos continuidade à criação do bem, e não do mal. O mal pode até passar pelos pensamentos; materializá-lo, porém, é pecado. Daí a recomendação bíblica para mudarmos o nosso modo de pensar também. O espírito pode nascer de novo, mas a mente do homem continua dúbia, trazendo em si o germe do mal que veio daquela contaminação.
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filipenses 4 : 8).
Mas o bem não o contaminou da mesma forma? Sim, e é adversário do mal que também habita no homem ao mesmo tempo. O homem não foi criado para criar o mal. Essa é a diferença essencial.
Por causa da dualidade que habita o homem, muitos colocaram Deus e o diabo no mesmo patamar de poder – o bem lutando contra o mal. Isso é falso. O diabo é uma criatura e não é Deus. Bastou um anjo para prendê-lo em correntes.
Assim, o homem não foi criado cego. Ele apenas não tinha o desejo de criar o mal embora pudesse entendê-lo perfeitamente.
Se o homem não fosse capaz de entender o bem e o mal, seria necessário Deus avisá-lo da árvore?
Se a resposta é ‘sim’, então, melhor ficar atento e não deixar qualquer livro perigoso perto de uma galinha. Ela pode construir uma bomba atômica.

Um pensamento sobre “As galinhas e a bomba atômica

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s