As galinhas e a bomba atômica

Digamos que eu deixe ao lado de uma galinha o livro que ensine em detalhes como construir uma bomba atômica. Devo preocupar-me com a possibilidade de a galinha construir o artefato e tornar-se ameaçadora? Evidente que não. Por quê?
Porque uma galinha não tem capacidade intelectual suficiente para discernir o que significa aquele objeto – o livro. Quanto mais compreender sinais de escrita, e mais ainda, conseguir interpretá-los e formar pensamentos. Essa é uma capacidade exclusiva da raça humana.
Posso descansar em paz que a galinha não destruirá o mundo dentro de alguns meses.
O que me faz pensar neste assunto é o fato de já ter sido questionado se o homem foi criado para ver somente o bem. Pelo relato bíblico, não. O homem tinha a capacidade de compreender o bem e o mal, podia discerni-los e até assimilá-los. No entanto, o conhecimento do bem e do mal estava abaixo do status do homem recém criado, e Deus os avisou para que não provassem do fruto a fim de que não caíssem do seu estado original.
Deus não escondeu a verdade dos primeiros seres humanos como a serpente quis fazer crer. Precisamos aprender a ler o que está escrito e pensar nisso.
Deus disse – Gn.2:
“16 E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, 17 Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.
E em Gn.3:
4 Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
Extrai-se que o homem podia entender o bem e o mal, mas não devia comer esse fruto de conhecimento. Uma vez ingerido, teria o desejo e seria capaz de criar o mal da mesma forma que estava apto a desejar e criar o bem.
Após ter repreendido suas criaturas e relatado a maldição que haviam contraído, disse Deus – Gn.3:
22 Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal…
Ora, o homem não fora feito conforme a imagem e semelhança de Deus? Sim. Então, por que agora diz o Senhor que o homem tornou-se como um de nós? Porque agora era capaz de criar o mal; sabia como fazer isso também. Guardadas as devidas proporções, ficou ‘como Deus’.
Em Isaías 45 está escrito:
7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

- Então a serpente não mentiu quando falou que, se comessem do fruto, ficariam iguais a Deus!
Evidente que mentiu. O homem não é igual a Deus e jamais será! Continua semelhante, mas com a capacidade e o desejo de fazer o mal também. E pior: ficou servo da serpente, pois todo vencido é escravo do vencedor – 2Pe.2:19.
Foi exatamente isso que Jesus destruiu na cruz: o poder do pecado e de satanás sobre o homem! Quem Nele crê e aceita Sua obra de salvação, está salvo e livre das amarras!

Vamos um pouco mais fundo: uma árvore dá frutos bons ou maus, nunca ambos no mesmo tronco e ao mesmo tempo. Assim, essa árvore paradisíaca tem a característica de ser uma árvore de confusão, pois o bem e o mal coexistem no mesmo tronco.
E o que isso significa para o homem? Significa que o homem, agora, contém os dois impulsos dentro de si. É capaz de fazer o bem e também de criar o mal. Por isso, constantemente, o Senhor diz que julgará os homens segundo suas obras.
Ouso dizer que este é o verdadeiro ‘pecado original’. A desobediência fez parte do ato de rebeldia, mas muitos homens de Deus foram desobedientes como Adão e Eva e Deus não os exterminou. Jacó lutou com Deus e prevaleceu, não foi? Oséias.12:

3 No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, e na sua força lutou com Deus.
4 Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco
,
Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Salomão, e tantos outros homens de fé também foram desobedientes em algum ponto de suas vidas. No entanto, foram considerados homens de valor por Deus, porque em seus corações queriam dar continuidade ao bem que Deus tinha criado. Entendiam isso, o que lhes mantinha a fé viva em Deus e em Sua palavra.
Abraão levou o filho ao sacrifício porque sabia que Deus tinha feito uma promessa de bem ao seu povo. Ainda que oferecesse Isaque em holocausto, Deus tinha todo o poder para ressuscitá-lo e cumprir a promessa feita.
No entanto, quando o homem cria o mal ou o pratica deliberadamente, Deus age com severidade e intenso juízo. Eis o motivo do dilúvio, da destruição de Sodoma e Gomorra, da destruição de Babilônia e da futura destruição do mundo como o conhecemos hoje no tempo devido.
Mas, o que mais se sobressai é que o homem tinha capacidade para compreender tanto o bem quanto o mal mesmo antes da queda. Contudo, não tinha prazer em criar e praticar deliberadamente o mal.
Agora, na condição de caído, sujeito aos caprichos da serpente, estava apto a obedecê-la e pronto a agir para o mal. Afinal, era o que ela queria.
E há também a questão da dualidade: o bem e o mal coexistindo na mesma árvore. Coexistir tem o significado de existir ao mesmo tempo em conjunto.
A coexistência do bem e do mal passou para o homem como uma doença transmissível.
Essa dualidade existe no homem até hoje. Por isso Paulo fala em Rm.12:2 – “Não se amoldem – não tomem a forma – deste mundo, mas transformem-se pela renovação do próprio entendimento para que possam compreender qual a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Fomos criados para darmos continuidade à criação do bem, e não do mal. O mal pode até passar pelos pensamentos; materializá-lo, porém, é pecado. Daí a recomendação bíblica para mudarmos o nosso modo de pensar também. O espírito pode nascer de novo, mas a mente do homem continua dúbia, trazendo em si o germe do mal que veio daquela contaminação.
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Filipenses 4 : 8).
Mas o bem não o contaminou da mesma forma? Sim, e é adversário do mal que também habita no homem ao mesmo tempo. O homem não foi criado para criar o mal. Essa é a diferença essencial.
Por causa da dualidade que habita o homem, muitos colocaram Deus e o diabo no mesmo patamar de poder – o bem lutando contra o mal. Isso é falso. O diabo é uma criatura e não é Deus. Bastou um anjo para prendê-lo em correntes.
Assim, o homem não foi criado cego. Ele apenas não tinha o desejo de criar o mal embora pudesse entendê-lo perfeitamente.
Se o homem não fosse capaz de entender o bem e o mal, seria necessário Deus avisá-lo da árvore?
Se a resposta é ‘sim’, então, melhor ficar atento e não deixar qualquer livro perigoso perto de uma galinha. Ela pode construir uma bomba atômica.

Homeschooling x sociabilização das crianças na escola

Quero refletir sobre alguns pontos sobre os quais já deveríamos estar trabalhando há algum tempo. As definições podem não estar completas, tampouco perfeitas, mas mostram o que penso a respeito.

Educação - é o que qualquer pessoa aprende desde criança, na convivência doméstica, geralmente através dos pais.

Instrução formal – é o estudo específico que cada pessoa recebe sobre o conhecimento humano desenvolvido ao longo dos tempos, como filosofia, matemática, biologia, etc.

Nenhuma pessoa deve ser obrigada a ser educada ou instruída pelo Estado ou por qualquer instituição autorizada apenas por ele. Essa decisão pertence aos responsáveis pela criança. Vou ainda mais longe: o Estado não pode impor que qualquer criança seja formalmente instruída. O Estado deve ser obrigado a informar aos indivíduos sobre as dificuldades que sofrerão os que não forem formalmente instruídos, e com muita clareza, sem ideologias ocultas. A decisão cabe sempre aos pais ou responsáveis. Cabe ao Estado não interferir nos direitos individuais para que os responsáveis pelas crianças possam decidir livremente qual o tipo de instrução formal desejam para seus menores. Então, teremos crianças alfabetizadas de fato, preparadas para buscar sua felicidade com seu próprio trabalho honesto.

No Brasil, a intenção dos governantes é fazer números elevados em estatísticas, por isso a obrigação de matricular crianças em escolas. Esse um dos motivos pelos quais a maioria do nosso povo é analfabeta funcional. A ênfase da lei está na matrícula, não na qualidade da instrução fornecida. Aliás, a qualidade já está definida como marxista. Se é que podemos identificar o marxismo com alguma qualidade.

Instrução doméstica x sociabilização – Criança sociabilizada, no Brasil, é instruída para ser criminosa, viciada, rebelde e sempre revolucionária marxista sob o lema: abaixo os imperialistas e a propriedade privada. Usa o resumo do dicionário comunista, o qual contém apenas cinco palavras: homofóbico, imperialista, fascista, nazista e retrógrado, e sem qualquer explicação maior sobre seu significado. Criança ‘sociabilizada’ geralmente cresce marginal, gradua-se em bandidagem e faz doutorado na penitenciária ou pós no cemitério. Algumas crescem e conseguem chegar à presidência ou ao congresso, mas não negam sua instrução de base.

Toda criança tem tempo livre após o horário de estudos. Pode brincar com os amigos depois de estudar. Ou será que todos os vizinhos do mundo foram abduzidos e não fomos informados? Instrução doméstica é um direito individual que não pode ser extinto pelo Estado.

Cidadania – significa que todo indivíduo é livre para buscar sua felicidade dentro de seu país mas respeitará a mesma liberdade para com seu vizinho e participará do esforço coletivo para a grandeza de todos com parte do que lhe restar depois de ter satisfeito todas suas necessidades e as de sua família. Quando precisamos cobrar do Estado que tire a mão da nossa liberdade, é porque já não somos cidadãos. O Estado existe para os cidadãos, não o contrário. Atualmente, o Brasil é feito por brasileiros, e não para brasileiros.  Cobrar qualquer coisa dos governantes hoje é o mesmo que discutir sobre a quadratura do círculo com uma anta de boné. E a anta sempre vence.

Posso dar instrução formal aos meus filhos em casa, ou em qualquer lugar, e cobrar melhor atuação do Estado para que mantenha livre de empecilhos o caminho dos que não têm condições para fazer o mesmo que eu. Sou livre, exerço minha liberdade de forma responsável e colaboro para que os que ainda não conseguem exercê-la completamente tenham total amparo de todos para tanto. Inclusive do Estado. Por isso contribuo com parte do que recebo do meu trabalho honesto para esse fim. Isto é uma pequena parte do que significa cidadania.

Precisamos nos lembrar que a liberdade individual foi conquistada; veio de lutas ao longo dos séculos. A liberdade não nos foi entregue de mão-beijada. A vitória da liberdade só se perpetua pela firme decisão de seus conquistadores em manterem-se livres. Os países comunistas exterminaram quem pensasse em liberdade, e agora, estão implantando o mesmo regime assassino aqui de forma lenta e sutil, invertendo valores e destruindo os pilares da sociedade cristã ocidental como se esta bagunça cultural fosse a única e verdadeira liberdade possível no mundo.

Não, não é! Precisamos mostrar imediatamente aos que querem um Estado-deus-sobre-todos que não vamos aceitar tais imposições. E precisamos fazer isso com urgência, antes que sejamos a menor das minorias. Nossas crianças já estão sendo doutrinadas para o marxismo. Mais tarde não haverá mais tarde.

As palavras têm poder? São sementes sempre?

            Estes dias entrei no site de uma igreja e apanhei alguns estudos.  Gostaria de comentar um pouco porque gostei de algumas coisas e não gostei de outras. Antes, porém, de qualquer comentário, esclareço que não sou doutor em nada, apenas presto atenção ao que é ensinado e comparo com o que está na Bíblia. Dentre os estudos que apanhei, um está relacionado ao uso das palavras como forma de benção e maldição.

            Muitos têm apregoado que nossas palavras são sementes e concordo em parte. Concordo em parte porque, de fato, as palavras são a ferramenta usada para expressar nossos sentimentos, desejos e tudo o que se passa em nosso pensamento. E vão mais além: expressam o que está em nosso coração, ou seja, em nosso interior que não é visto por homem algum, e podem influenciar pessoas.

            Nesse sentido as palavras têm um poder magnífico pois, através delas conseguimos transmitir o invisível. Contudo, nas palavras não há poder suficiente para serem auto-realizáveis.

            Com razoável entendimento bíblico, penso que não podemos atribuir uma maldição apenas porque alguém disse algo ruim. Tal entendimento errôneo é um perigo maior do que a possível maldição em si.

            Na Bíblia vemos pessoas abençoando e amaldiçoando. Deus mesmo amaldiçoou nações, pessoas e até atitudes. Em outras situações, Ele abençoou, e o fez mais vezes do que proferiu maldição. Porém, Ele tem autoridade para tanto.

            É algo semelhante à sentença de um Juiz investido de seu ofício. Ele tem a lei do país garantindo que sua decisão será cumprida mesmo que seja com o uso da força. Deus não precisa que ninguém garanta suas decisões, pois Ele é o autor das leis que regem todas as coisas. Quando Ele diz, está dito e feito.

            Se pensamos que palavras podem amaldiçoar ou abençoar porque as dizemos, estamos nos enganando a nós mesmos. Isso não é verdadeiro.

            Imagine que alguém passa por uma situação de humilhação e, de repente, explode de raiva e profere palavras carregadas de ódio. Se só isso fosse capaz de materializar a maldição, estaríamos perdidos. Graças a Deus, não é. Para que qualquer coisa aconteça após as palavras terem sido verbalizadas é necessário ter autoridade para fazer acontecer o que foi dito.

            Alguns pregadores apregoam também que os cristãos têm autoridade para que suas palavras aconteçam. Sim, de fato o cristão tem uma autoridade dada por Cristo, mas está limitada a Ele. Pode usar Seu nome em muitas situações porque é parte da Igreja que Ele mesmo construiu. Mas, nossas palavras somente não têm autoridade alguma além daquela que Cristo entregou a elas. Assim, se um cristão abençoa alguém, suas palavras, por si mesmas, não farão bem nem mal a quem quer que seja ao longo do tempo, mesmo que sejam ditas com a intenção de.  Se não tiverem sido proferidas antes pelo Senhor de todas as coisas, inclusive das palavras, nada acontecerá.

            Por outro lado, as palavras podem afetar outras pessoas.  Quem as ouvir e as aceitar como suas, e convencer-se disso, sofrerá a influência do que foi dito. Porém, tal situação ocorre por influência pessoal, direta. A pessoa precisa ouvir para reagir ou aceitar. Se dizemos algo sobre uma situação, como p.ex. uma palavra que gostaríamos de ver cumprida em nosso país, nada acontecerá se o Senhor não a tiver dito antes. As palavras proferidas não têm poder algum para fazer qualquer coisa pois não têm autoridade em si mesmas para tanto. Deus mesmo diz: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is.55:11). Deus diz assim porque Ele é Deus; nós, não.

            É só assim que as coisas acontecem por palavras: o Senhor fala primeiro. Deus deu ao homem o privilégio de dar nome às coisas criadas e mais nada além disso usando palavras.

            Muitos versículos bíblicos são usados para embasar que as palavras têm poder. É preciso observar, porém, em qual contexto foram ditas para não inventarmos novas doutrinas que não estão escritas na Bíblia. Um texto tirado do seu contexto pode servir de base para qualquer tipo de doutrina.

            Conforme tenho observado em algumas pregações desse assunto, precisamos estar muito atentos ao que dizemos, pois, se dissermos algo ruim, irá acontecer. Não é assim, graças a Deus. O mesmo se dá quando dizemos algo bom. Por quê?

            Por uma razão muito simples: não somos nós os donos de coisa alguma aqui. Não mandamos nos fatos, nas pessoas, nos acontecimentos, nem no presente, tampouco no futuro. Algo só acontece quando Deus fala primeiro. Faço, contudo, uma observação quanto ao fato de podermos alterar certos fatos futuros com nossas ações presentes, mas isso é assunto para outro post.

            Há um texto bíblico usado para afirmar que temos um poder enorme quando proferimos algo. Está em Mt:18:18 – “Em verdade vos digo que tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu”.

            Porém, essa não é a tradução exata para os tempos verbais usados nos textos originais. A tradução correta é: “Tudo quanto ligardes na terra TERÁ SIDO LIGADO no céu e tudo quanto desligardes na terra TERÁ SIDO DESLIGADO no céu”.

            Falando de uma maneira simples, essa conjunção verbal significa um tempo passado, embora pareça estar no futuro pelo uso do verbo ‘ter’ nesse tempo futuro – terá. O sentido todo está no passado e significa: o que ligarem na terra já foi ligado no céu e o que desligarem na terra já foi desligado no céu. Assim, se ligamos ou desligamos qualquer coisa aqui é porque a ordem já foi dada primeiro pelo Senhor. Afinal, quem é Senhor? Jesus ou a Igreja? Jesus, claro. O corpo faz o que manda a cabeça, não o contrário.

            Assim, se dissermos algo conforme o Senhor nos inspirar a dizer, então aquilo é, de fato, real e vai acontecer. No entanto, muitos erram aqui também, porque afirmam que “Deus os mandou dizer isso e aquilo” quando, na verdade, Deus não disse coisa alguma. Creio que Ele fala conosco, mas pelos relatos bíblicos e por experiência própria, sei que isso não ocorre de qualquer maneira, muito menos quando queremos. De uma forma bem genérica e simples digo que quando deixamos nosso querer de lado, o Senhor nos mostra o que Ele quer. Pode ser que seja até o que queremos, mas pode não ser também. As chamadas ‘profetadas’ são muito perigosas, pois quem as ouve pode achar que são reais, vindas de Deus, e sofrer sem motivo. E, se vêm de Deus, quem poderia contestá-las? Por isso, todo cuidado é pouco nessa questão. Trato disso noutro post.

            O texto que mencionei acima nos informa que se ligarmos algo aqui é porque já está determinado no céu, e não que será determinado pelo Senhor porque determinamos aqui. Observe que isso tira de Jesus a autoridade que só Ele tem e ninguém mais. Nem a Igreja. A Igreja, como corpo, só faz o que a Cabeça determina. Assumimos esse compromisso quando aceitamos a salvação e nos entregamos a Deus para cumprirmos a Sua vontade aqui. Esse foi o trato que Deus fez conosco. Se o aceitamos desta forma, por que pretendemos alterá-lo? Não fomos nós quem escolhemos a Deus, mas Ele que nos escolheu a nós. Não podemos mudar nada nessa questão.

            Essa doutrina faz parte de um conjunto de doutrinas que dão à igreja um poder que ela não tem. Igreja é corpo, e corpo não manda. Corpo obedece à Cabeça. As doutrinas a que me refiro dizem respeito à doutrina da determinação. Elas afirmam que se eu determinar algo, aquilo acontecerá. Não é assim também, graças a Deus. Mesmo não tendo esse poder, já fazemos bobagens demais. Quantas e terríveis coisas aconteceriam se tivéssemos esse poder!

            Por outro lado, penso também que podemos transtornar a vida de alguém usando apenas palavras. Isso é inegável. Mas, para que isso ocorra, precisamos como que martelar o pensamento de alguém até que se amolde ao que estamos querendo.

            E não são necessárias apenas palavras também. Com gestos e atitudes também podemos ir além de uma simples comunicação. Estragamos o dia de alguém com um simples olhar de reprovação sem dizermos uma só palavra.

            O que todos os textos bíblicos nos informam a respeito do falar é que precisamos usar a língua com sabedoria, pois podemos até nos condenarmos por causa dela (Davi se condenou a si mesmo na sentença que proferiu quando o profeta Natã contou sobre o homem que tinha muitas ovelhas e, ao receber uma visita, sacrificou a única ovelha do seu vizinho, referindo-se ao adultério e assassinato cometidos pelo rei contra seu soldado Urias – IISm.12). No entanto, a língua não se move sozinha, como que por conta própria. A língua não tem vida independente do corpo. Jesus disse que o homem se contamina pelo que sai da sua boca, não pelo que entra por ela, porque o que sai da boca vem direto do coração.

            Influenciamos pessoas com nossos pensamentos, ainda que apenas escritos. Você está pensando no que eu escrevi aqui sem ouvir uma só palavra da minha boca. Se isso fizer você pensar mais e ir além, buscando a compreensão do que pregam em comparação com o que está lendo agora, então, o que pregaram e minhas palavras atingiram você, e agora você quer uma compreensão correta do que está em seu pensamento. Há uma dúvida e você quer esclarecimento, quer saber onde está a verdade. Isso é ótimo!

            Então, caso você siga adiante em sua busca da verdade – o que penso ser excelente – lembre-se de que tudo o que nega qualquer parte da obra de Cristo não vem de Deus.

            Jesus é Deus que veio em carne. Jesus andou como homem entre nós e levou sobre si as nossas dores. Ele se entregou em nosso lugar morrendo numa cruz sem ter cometido qualquer pecado, e nasceu sem ele também. Depois de três dias foi ressuscitado pelo poder de Deus e hoje está à direita do Pai atuando como nosso Advogado. É o primeiro homem ressurreto, as primícias. Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Sua obra foi completa, suficiente e eterna para realizar a salvação da humanidade. Ele é Senhor de todas as coisas. Portanto, qualquer doutrina que altere o menor ponto desta porção da doutrina bíblica a respeito de Cristo está errada e deve ser descartada.

            A doutrina da determinação também tira de Cristo a autoridade que só Ele tem, da mesma forma que a doutrina das ‘palavras poderosas’ também o faz. Nada acontece aqui sem que venha primeiro do Senhor. Ele tanto pode permitir quanto ordenar que algo aconteça, mas em todos os casos, Ele é o único que tem autoridade para isso.

            Fiz esse breve comentário porque tenho visto muita gente temendo a própria realidade. Pessoas sinceras em sua fé chegam a não relatar um problema sério por puro medo de estarem dando autorização ao diabo para agir em suas vidas. Isso não existe na Bíblia. Os problemas, para serem resolvidos, precisam ser detalhados, esmiuçados, compreendidos e, muitas vezes, relatados a outros com mais entendimento que nós. Se nos recusamos a falar um problema por medo de estarmos dando ao diabo a chance de nos derrotar, novamente estamos tirando a autoridade de Cristo e afirmando que Ele é mentiroso. Não é. Ele mesmo disse que as portas do inferno não prevalecerão contra a Sua Igreja. Então, por que temer?

            Se você tem um filho problemático, não tenha medo de contar o problema a alguém e pedir oração. Nem sempre conseguimos fazer tudo sozinhos. O diabo não irá fazer nada além do que já está fazendo por causa disso, e irá só até onde o Senhor permitir que vá. Não será por que você contou ou falou com palavras o que ele faz que o diabo irá agir mais do que já está agindo. Não vai. Se isso acontecesse de verdade, Deus seria mentiroso, e isso Ele não é.

            O diabo só faz o que lhe é permitido. Quando o homem caiu da presença de Deus já fez tudo de ruim que podia fazer e, a partir daí, o diabo passou a estragar muita coisa por aqui. Por isso Jesus veio. Se você está em Cristo não há o que temer. Se alguém em sua família está com problemas, ore e esteja ciente de que Deus pode tudo e fará o que prometeu fazer se nós O buscarmos com humildade e fé. Se você tem mais medo do que confiança, então, algo está errado. O amor joga o medo fora.

            Ainda, quero dizer que você não precisa viver uma vida de temores infundados. Tema somente a Deus e ame-O de todo o seu ser. Qualquer outra doutrina que lhe ponha medo e temores disso e daquilo não deve ser seguida. Cristo veio para nos libertar, não para nos tornar fantoches, mamulengos guiados pela vontade de homens. Se Cristo nos libertou, então somos verdadeiramente livres. Que nossas palavras sejam sempre bem temperadas para não machucar quem as ouvir é uma recomendação bíblica. Isso é bom e agradável a Deus e aos homens.

            Lembre-se mais ainda que ninguém pode lhe colocar um cabresto e mandar em sua vida, inclusive através de palavras. Só Jesus é Senhor. Esteja atento ao que está escrito: no final dos tempos os homens irão atrás de fábulas e estórias inventadas, mas não aceitarão a sã doutrina bíblica (2Tm.4:3,4). Portanto, procure saber profundamente o que lhe é ensinado, inclusive pelos pregadores mais renomados. São homens sujeitos a erros e vaidades. O que escrevo aqui, também deve ser levado em oração e estudado com muita atenção porque não sou Deus. Está escrito: Se houverem profetas, que falem dois ou três, e os outros julguem (1Co.14). Se a palavra dos profetas fosse perfeita, não seria necessário julgamento. Então, siga essa recomendação da própria Bíblia: “Meu povo sofre porque lhe falta o conhecimento…” – Os.4:6. Lembrando ainda do que disse Jesus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Ele é a Verdade, conheça-O e aprenda Dele.